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BUSH: NÃO IMPORTA O TEMPO QUE DEMORE

O presidente norte-americano, George W. Bush, declarou hoje, em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que a guerra no Iraque irá prolongar-se pelo tempo que for necessário até à remoção de Saddam Hussein do poder.
27 de Março de 2003 às 18:23
Bush e Blair em Camp David
Bush e Blair em Camp David FOTO: skynews.com
Bush recebeu Blair para dois dias de conversações no retiro presidencial de Camp David, arredores de Washington D. C.. Estas conversações juntam os dois líderes ocidentais da campanha armada ocidental para derrubar o regime iraquiano e ocorrem numa altura em que as forças da coligação abriram a frente norte das hostilidades no Iraque e enfrentam forte resistência por parte da Guarda Republicana a cerca de 100 quilómetros a sul de Bagdad. Segundo um oficial militar norte-americano no terreno, as condições no teatro de operações sugerem que está a preparar-se uma grande batalha em Kerbala, a 100 quilómetros da capital iraquiana. Em três dias, a vanguarda da força invasora (o Sétimo de Cavalaria da 3ª Divisão norte-americana) só conseguiu progredir 60 quilómetros na frente sul, depois de ter avançado 200 quilómetros nos quatro primeiros dias da guerra. De acordo com fontes oficiais iraquianas, a guerra provocou até agora 4 mil vítimas civis, 350 das quais mortais.
Bush, falando ao lado de Blair, em Camp David, não se mostrou de forma alguma afectado pela forte resistência que as forças da coligação estão a sentir a sul de Bagdad. “Com uma semana de conflito, deixem-me insistir na nossa completa e total determinação (...) Isto não é uma questão de calendário, é uma questão de vitória. E o povo iraquiano deve saber que será libertado e Saddam Hussein deposto, não importa o tempo que demore”. Esta promessa é feita numa altura em que cada vez mais analistas indicam que esta guerra nãoi irá demorar semanas, como inicialmente previsto, mas meses. O antigo chefe dos inspectores da ONU no Iraque Scot Ritter, entrevistado pela Rádio TSF em Lisboa, disse mesmo que os EUA vão perder esta guerra, porque não têm suficientes forças no terreno para ocupar Bagdad. “No Vietname também anunciaram vitórias tácticas durante dez anos”, disse o perito norte-americano.
Bush e Blair aproveitaram ainda a conferência de imprensa para acusar o regime iraquiano de executar prisioneiros de guerra britânicos.
PROGRAMA HUMANITÁRIO
Uma das questões mais importantes levantadas nesta conferência de imprensa foi o pedido feito à ONU para que retome imediatamente o programa de troca de petróleo por comida, que constituía a excepção humanitária ao regime de sanções internacionais a que o Iraque está sujeito desde 1991. O programa foi suspenso dois dias antes do início das hostilidades devido à retirada dos funcionários da ONU que o geriam no terreno.
Blair disse mesmo que o recomeço deste programa é “urgente”, mas é difícil aceitar que hajam condições de trabalho em segurança no terreno, pelo que este pedido poderá não passar de uma iniciativa política de relações públicas.
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