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"Selva" de refugiados em Calais está sem comida

Governo francês determinado em desmantelar campo.
Lusa 2 de Setembro de 2016 às 03:10
O gigantesco bairro da lata conhecido como "A Selva", situado perto de Calais
O gigantesco bairro da lata conhecido como 'A Selva', situado perto de Calais FOTO: Getty Images

O gigantesco bairro da lata conhecido como "A Selva", situado perto de Calais, norte de França, que alberga quase sete mil refugiados que esperam chegar ao Reino Unido, vai ser gradualmente desmantelado, anunciou na quinta-feira o ministro do Interior francês.

Bernard Cazeneuve disse ao jornal regional Nord Littoral que vai avançar para o seu encerramento "com grande determinação", desmantelando o espaço em fases enquanto são criados novos alojamentos para os migrantes noutras zonas de França, de modo a "desbloquear Calais".

No entretanto, as organizações solidárias que atuam no local garantem que já não têm dinheiro e comida para alimentar tanta gente. 

"Há uns meses, tínhamos umas 70 pessoas nas linhas à espera de comida. Agora temos 500 pessoas. Começamos a ficar sem comida suficiente há cerca de três semanas", explica Marie Eisendick, uma das cozinheiras do campo, ao jornal The Guardian

As autoridades francesas tentaram várias vezes encerrar o campo, que dizem albergar cerca de 7.000 refugiados, o que representa um acentuado aumento nos últimos meses.

Algumas organizações humanitárias colocam o número perto dos dez mil.

No campo há muitos afegãos, somalis, sudaneses e curdos, entre outros requerentes de asilo.

Os migrantes juntam-se em Calais na esperança se conseguirem atravessar clandestinamente o canal para o Reino Unido.

Desde outubro do ano passado que mais de 5.000 requerentes de asilo deixaram a cidade do norte de França rumo a 161 centros especiais espalhados por todo o país.

Vagas para mais 8.000 requerentes de asilo vão ser criadas este ano e para outros milhares em 2017, intensificando os esforços para que as pessoas concentradas em Calais partam voluntariamente, disse Cazeneuve.

Atualmente há um número recorde de polícias, 1.900, a trabalhar em Calais, e Cazeneuve informou que outros 200 vão juntar-se ao contingente para "reforçar a luta" contra os migrantes que entram clandestinamente em camiões com destino ao Reino Unido.

O ministro disse ainda que o Presidente François Hollande vai visitar Calais no final deste mês.

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