Segundo o líder reeleito para secretário-geral do PS, "esta é uma votação que exprime uma ampla vontade".
O líder socialista, José Luís Carneiro, considerou este sábado que o resultado da sua reeleição lhe "atribui especiais responsabilidades" e que está habilitado "no futuro a ser candidato a primeiro-ministro", adiantando que pedirá uma reunião ao Presidente da República.
Num discurso na sede do Partido Socialista, no Largo do Rato, em Lisboa, depois de serem conhecidos os resultados provisórios da sua reeleição como secretário-geral com 95,4% dos votos, José Luís Carneiro, que voltou a ser candidato único, referiu que os jovens que não estudam nem trabalham são a "primeira e a mais importante prioridade neste momento".
"Com certeza que me candidatei a secretário-geral para servir o meu país, e para servir o meu país naturalmente habilitando-me no futuro a ser candidato a primeiro-ministro", respondeu aos jornalistas.
Segundo o líder reeleito, "esta é uma votação que exprime uma ampla vontade", uma "vontade plural, diversa, mas convergente com a liderança do Partido Socialista".
"Este é um resultado que me atribui especiais responsabilidades. E uma das mais importantes responsabilidades do líder de um partido como o PS é o do respeito pela diversidade de opiniões, pela pluralidade das expressões internas, porque essa é a grande força que faz do PS o grande espaço da democracia, a grande casa comum da democracia", disse.
Carneiro disse ainda que tem a intenção, como secretário-geral eleito, de pedir uma reunião com o Presidente da República, António José Seguro, para lhe apresentar cumprimentos e falar "sobre outros assuntos".
"É conhecida a nossa posição, nós estamos disponíveis para construir soluções que sirvam o país. Por isso mesmo avançamos desde julho do ano passado a confluência em áreas de soberania, na defesa, na justiça, na segurança interna, e disponibilizámo-nos também para construir soluções em relação à saúde. Aguardarei, naturalmente, pela iniciativa do senhor Presidente da República", respondeu, sobre o pacto da saúde.
Quanto aos 140 mil jovens que não estudam nem trabalham, Carneiro defendeu que é preciso encontrar "uma forma de responder com propostas políticas a estas famílias e a estes jovens que vivem em desespero e em desesperança em relação ao futuro" e que "Portugal não pode deixá-los para trás".
"A partir de maio vou convocar todas as estruturas dirigentes do PS para irmos de novo ao terreno, saber quem são, onde estão, como é que é possível montar um projeto político capaz de responder a estes jovens. É por isso que irei para o terreno com uma prioridade muito clara: a visita às empresas e às estruturas de formação técnica e profissional, que têm de conseguir responder com os nossos centros de investigação e de conhecimento e dar uma nova esperança a estes jovens que esperam pelo PS e que esperam pelo país. E depois quero também avançar para o roteiro da economia do mar", adiantou ainda.
Com 96% das secções apuradas, segundo informação adiantada à Lusa por fonte oficial, José Luís Carneiro foi eleito com 95,4% (21.219) dos votos expressos, tendo sido registados 483 votos brancos e 145 nulos.
Votaram 21.848 militantes entre sexta-feira e hoje, com uma taxa de participação de 55,3%.
José Luís Carneiro vê assim reforçada a votação face à primeira vez em que foi eleito líder dos socialistas, numa altura em que também o universo de militantes com capacidade eleitoral aumentou.
Quando foi eleito pela primeira vez secretário-geral do PS, em junho do ano passado, também como candidato único, José Luís Carneiro teve 95,4% dos votos, equivalendo a 17.434 boletins.
Nessa eleição foram registados também 701 votos brancos e 128 nulos, numas diretas em que a taxa de participação foi de 48,9% e quando votaram cerca de 18 mil socialistas.
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