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Correio da Manhã

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Cavaco: Crise internacional afectará Portugal

O Presidente da República, Cavaco Silva, admitiu esta terça-feira, em Arouca, que Portugal “dificilmente” não será atingido pela crise dos mercados bolsistas internacionais, apesar de pretender contrariar qualquer ideia de pessimismo.
22 de Janeiro de 2008 às 14:52
“Temos de nos preparar para uma nova realidade de taxas de juro mais elevadas, crédito mais escasso e clientes de Portugal com economias mais fracas”, alertou o Chefe de Estado, recordando a advertência que já tinha feito na sua mensagem de Ano Novo.
Apesar do cenário de crise, Cavaco Silva acredita que “Portugal, com confiança, políticas correctas, com rigor face aos recursos de que dispomos, pode ultrapassar as dificuldades”. “Tenho confiança nos portugueses, nos empresários portugueses, na sua capacidade de adaptação a esta realidade”, sublinhou.
O Chefe de Estado sustentou a sua confiança no facto de o investimento interno e externo dar bons sinais em 2008. Contudo, essa variável não basta e os empresários portugueses devem apostar “na competitividade, inovação e conquista de novos mercados”.
“Não podemos cair no desânimo”, sublinhou o Presidente da República, declarando-se contra “toda a ideia de pessimismo”.
CAVACO RECONHECE MELHORIAS NA ECONOMIA
Cavaco Silva reconheceu que a economia portuguesa está actualmente melhor do que na altura em foi eleito Presidente da República (PR), há dois anos.
"Tenho que dizer, com seriedade, que está melhor, na medida em que a taxa de crescimento económico é hoje mais forte do que era quando fui eleito", reconheceu o chefe de Estado durante uma visita ao mosteiro de Arouca, integrada na II Jornada do Roteiro para o Património.
"A confiança, apesar de tudo, também é hoje mais forte do que era há dois anos a esta parte", acrescentou Cavaco, precisando que não se pode afirmar com segurança “que Portugal vai aproximar-se, de forma sustentada, da média de desenvolvimento dos países da União Europeia".
"As coisas apontavam para que 2008 poderia ser um ano de aproximação a essa média, mas agora surgiram no cenário internacional indicações que dificilmente não terão efeito sobre todos os países da Europa", salientou o PR.
VERDADE MARCOU DOIS PRIMEIROS ANOS DE MANDATO
No dia em que se assinala o segundo aniversário da sua eleição, Cavaco Silva afirmou que ao longo dos dois anos de mandato procurou “falar verdade aos portugueses, criar condições para a estabilidade e contribuir para a confiança e mobilização dos portugueses”.
Património, educação, ciência, exclusão social e pobreza e combate à desertificação do interior foram as áreas com as quais o Chefe de Estado mais se preocupou e mais procurou mobilizar os portugueses, nomeadamente através da promoção de roteiros.
A propósito de uma eventual revisão dos poderes presidenciais, Cavaco Silva foi peremptório: “Sempre disse que vivia bem com as competências actuais do Presidente da República”.
Manifestando pretender ser um “factor de estabilidade”, o Presidente da República recordou que tem “procurado usar as competências com parcimónia, com discrição e para evitar polémicas e instabilidade”.
A GRAÇA DE CAVACO COM A ASAE
Durante a visita à cozinha conventual do Mosteiro de Arouca, o Chefe de Estado decidiu gracejar: “E, então, a ASAE ainda não veio cá?”.
Mais tarde, ao ser questionado sobre a audição do inspector-geral da ASAE no Parlamento, António Nunes, Cavaco afirmou que “tem de haver bom senso em todas as coisas” e “também na política”. “Mas não estou a fazer qualquer insinuação”, concluiu.
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