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Centeno garante que ambição é coisa que não falta ao Governo português

"Conseguimos, ao contrário do que eram as expectativas gerais, ultrapassar todos os obstáculos", diz ministro das Finanças.
Lusa 14 de Março de 2018 às 17:42
Mário Centeno
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O ministro das Finanças, Mário Centeno, assegurou esta quarta-feira que "ambição é coisa que não falta" ao Governo português e que assim vai continuar para o país conseguir responder aos desafios europeus como o da redução da dívida.

"A ambição, devo sublinhar, é coisa que não falta a este Governo. Nós conseguimos, ao contrário do que eram as expectativas gerais, ultrapassar todos os obstáculos que nos têm sido colocados", afirmou Mário Centeno, que falava aos jornalistas à margem de uma conferência sobre crescimento económico organizada pelo jornal The Economist, em Cascais, Lisboa.

Segundo o responsável, o que este executivo pretende "continuar a fazer no futuro é a manter o mesmo nível de ambição para [...] continuar no processo de redução da dívida, de permitir melhores condições de financiamento para, não só o Estado, mas também as empresas e famílias".

Mário Centeno reagia, assim, à missiva que hoje recebeu do vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta do Euro, Valdis Dombrovskis, na qual Bruxelas solicita que Portugal apresente programas de Estabilidade e de Reformas ambiciosos em abril, com medidas que apostem na redução da dívida e do crédito malparado e no aumento da produtividade.

"Não vale a pena fazer história longa, mas o que são hoje condições de financiamento da economia portuguesa, temos de reconhecer que têm muito pouco a ver com há um ano e isto é algo que só aconteceu com Portugal no contexto europeu", observou Mário Centeno.

Até dia 30 de abril, o executivo português vai, assim, responder à Comissão Europeia, elencando "os desafios" nos quais "o Governo tem estado a trabalhar".

Ainda assim, o governante salientou que estes desafios "têm sido abordados pelo Governo desde o início nos seus programas de estabilidade e de reforma".

"Vivemos dias de reconhecimento do enorme sucesso que a economia portuguesa tem. Devo recordar que, na semana passada, tivemos a informação que Portugal tinha subido o nível na escala de avaliação da Comissão Europeia, no âmbito do semestre europeu, em relação aos desequilíbrios macroeconómicos, que deixaram de ser excessivos e passámos a integrar um grupo muito vasto de países europeus em que os desafios se mantêm, [como] a economia e o setor financeiro", ressalvou.

Aludindo à meta do défice de 1,1% para 2017, Mário Centeno mostrou-se "bastante confiante no resultado orçamental de 2017".

"É um resultado muito muito positivo e reflete o excelente estado da economia, o impacto nas receitas, mas também o enorme rigor com que Portugal tem executado os seus programas de despesa", considerou o governante.

Contudo, garantiu que o Governo não está a usar "este momento económico [...] para alavancar despesa, mas sim para, em equilíbrio, cumprir todos os compromissos".

Já questionado sobre o facto de Portugal ter colocado hoje 1.250 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a 10 e 27 anos às taxas de juro de 1,778% e 2,8%, respetivamente, inferiores às dos anteriores leilões comparáveis, o responsável pela pasta das Finanças vincou que esta é "uma das boas notícias do dia".

"Portugal teve hoje uma colocação com as mais baixas taxas de juro aos prazos que foram colocados. A taxa de 1,77 a 10 anos é, de facto, assinalável e demonstra a confiança dos mercados em relação à economia portuguesa e ao seu desempenho", notou.

O governante falou ainda da concessão de críticas à Associação Mutualista Montepio, argumentando que, "num Estado de direito aplicam-se as leis e o que feito foi a aplicação do quadro legal previsto para essas situações".

"Não me parece que fosse de esperar outra coisa do Governo português", adiantou.

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