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Correio da Manhã

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CGTP e Governo não se entendem

O Governo anunciou uma taxa de adesão de 12,8 por cento à greve desta quarta-feira, considerando que está a ter um “impacto limitado” face a outras paralisações do passado. A CGTP já reagiu a este número avançado pelo Executivo com o qual discorda. Embora ainda esteja a recolher dados dos diversos serviços públicos, a central sindical aponta para uma adesão na ordem dos 80 por cento.
30 de Maio de 2007 às 15:22
Em conferência de imprensa, os secretários de Estado do Emprego, Fernando Medina, e da Administração Pública, João Figueiredo, garantiram que “o país está a viver um momento de tranquilidade com uma greve parcial”, o que só pode revelar que “os trabalhadores disseram não a este protesto da CGTP”.
Por seu turno, Ana Avoila, coordenadora da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública da CGTP, garante que a paralisação levou ao encerramento de escolas, centros de saúde, tribunais e serviços autárquicos um pouco por todo o país, o que não torna esta greve em nada inferior às realizadas anteriormente, “apesar da precariedade que tem vindo a aumentar desde então”.
De igual modo, o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) crê que os números da greve se situem entre os 70 e os 80 por cento. Bettencourt Picanço referiu que “apesar da precariedade e da coacção exercida nos vários serviços, os trabalhadores deram a resposta que esperávamos ao Governo, para que ele altere as propostas negociais que apenas têm como objectivo a retirada de direitos aos trabalhadores e a precarização dos vínculos laborais.
A contestação dos sindicatos parece não ter eco no Governo. João Figueiredo garantiu que o Governo pretende manter-se “fiel às mudanças que está a fazer”, pois a reforma da administração pública é importante para melhorar o sector e servir melhor o país.
TRANSPORTES MAIS AFECTADOS
Ainda sem números definitivos, sabe-se já que o Metro de Lisboa e a Transtejo não cumpriram os serviços mínimos exigidos por Lei. Na empresa que faz o transporte de passageiros no Tejo, a greve terá sido mesmo de 100 por cento. Desde a meia-noite que não há qualquer travessia realizada por parte da Transtejo.
O Metropolitano já anunciou que pretende penalizar os trabalhadores da empresa que não cumpriram os serviços mínimos. As linhas Azul e Amarela deveriam estar a funcionar, no entanto durante o dia não houve qualquer circulação nestas linhas.
A CGTP já reagiu a esta medida, que considera ser “chantagem” e coacção. Os responsáveis sindicais afirma que o Metropolitano não tem competência disciplinar sobre os trabalhadores, pois estão em greve.
A SATA Air Açores já cancelou, até ao momento, 23 voos entre as nove ilhas do arquipélago, o que deixou em terra um total de 862 passageiros. O cancelamento dos voos ficou a dever-se à greve registada nos serviços meteorológicos, essenciais para o despacho de cada voo.
No entanto, Carris, CP, Metro do Porto e Transportes Colectivos do Porto são empresas onde a greve teve um fraco impacto. O Sindicato dos Transportadores Rodoviários do Norte admite mesmo que a adesão à greve, por parte dos trabalhadores da região do Grande Porto, ficou “abaixo das previsões”.
MAIS DE 800 ESCOLAS FECHADAS
De acordo com os dados divulgados pelo Governo, 800 escolas, num total de 10.928 estabelecimentos de ensino públicos, estão hoje com as suas portas fechadas. Este número representa 7,5 por cento do total de escolas. A região de Lisboa foi a mais afectada, logo seguida pela região Centro e pelo Alentejo.
TRIBUNAIS PARALISADOS
A greve fez-se também sentir nos tribunais. Em Lisboa, a maioria dos 22 tribunais cíveis de Lisboa esteve hoje abaixo das suas capacidades.
HOSPITAIS DO PORTO QUASE EM PLENO
Nos hospitais da cidade do Porto, a greve teve um fraco impacto, que se situa abaixo dos 25 por cento. Segundo dados oficiais, todos os serviços estão a funcionar, ainda que, em alguns casos, com menos pessoal.
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