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CGTP: Governo não percebe motivos da greve

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, acusou esta sexta-feira o Governo de não "perceber ou não querer interpretar" os protestos dos trabalhadores e anunciar primeiro as medidas antes de se sentar à mesa com os sindicatos.
14 de Março de 2008 às 11:46
No dia de greve da função pública convocada para hoje pela Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, afecta à CGTP, Carvalho da Silva respondia, assim, ao ministro do Trabalho e Solidariedade Social, Vieira Silva, que quinta-feira disse em Leiria não compreender os motivos da greve quando o diálogo com os parceiros ainda decorre.
Carvalho da Silva contestou o conceito de diálogo de Governo, que acusou de anunciar as medidas e "depois aparecer à mesa das negociações com os sindicatos para ver se concordam com elas".
"O ministro Vieira da Silva e o Governo não percebem ou não querem interpretar o protesto dos trabalhadores e de outros sectores da população e esse é o maior mal da governação actual", disse.
A paralisação de hoje abrange o pessoal não docente das escolas, o pessoal administrativo, auxiliar e técnico de diagnóstico dos hospitais e centros de saúde e os funcionários dos diversos ministérios, embora o pré-aviso de greve inclua qualquer outro funcionário público que pretenda aderir.
A greve ocorre no âmbito de uma semana de luta convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP-In) e coincide com a realização de uma manifestação.
A manifestação de protesto vai decorrer durante a tarde, em Lisboa, entre o Ministério das Finanças e S. Bento e integrará também os trabalhadores do Município de Lisboa.
O novo diploma dos vínculos, carreiras e remunerações, o congelamento de escalões, a imposição de quotas no sistema de avaliação e o aumento da idade de reforma são algumas das questões que levaram a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP) a convocar esta semana de luta.
BALANÇO DA GREVE
A greve dos trabalhadores da administração central está a afectar seis hospitais de Lisboa e Almada, que registam já uma adesão entre cinquenta e cem.
Segundo a coordenadora da Federação Nacional de Sindicatos da Função Pública, Ana Avoila, fazendo o balanço dos momentos iniciais da paralisação, as urgências dos Hospitais de São José, em Lisboa, e do Garcia de Orta, em Almada, estão a funcionar com serviços mínimos. O Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, regista igualmente uma adesão de cem por cento no bloco de partos e na obstetrícia.
Nos Hospitais São Francisco Xavier, Curry Cabral e Santa Maria, também em Lisboa, a paralisação tem, nos primeiros turnos, uma adesão de 77 por cento, 67 por cento e 64,8 por cento, respectivamente.
No Garcia de Orta, o serviço de radiologia está a funcionar a 50 por cento, de acordo com a mesma fonte.
Na sede do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em Lisboa, a adesão à greve está a ser de 83 por cento.
A greve dos trabalhadores da administração central poderá encerrar hoje algumas escolas e serviços da segurança social, pois os sindicatos prevêem uma adesão superior a 70 por cento.
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