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China tem novo ano com desafios reiterados e problemas de sempre

Sai o galo, entra o cão. Animal controverso no dia a dia do gigante asiático, promete um novo ciclo lunar. Os crentes esperam justiça, afeição e honestidade.

22 de fevereiro de 2018 às 17:45

um país implacável e talvez por isso demasiado contraditório aquele que celebra agora a entrada no Ano do Cão. Na China dos contrastes, a construção no início deste ano da nova estação de comboios de Nanlong, na cidade de Longyan, é uma metáfora da capacidade empreendedora do país.

Mil e quinhentos trabalhadores, distribuídos por sete grupos a laborar simultaneamente, ergueram a nova infraestrutura em apenas nove horas. Só que a ordem e a disciplina na construção, na indústria ou na competitiva agricultura resvalam facilmente para censura quando nos movimentamos no pantanoso território das ideias que contrariem os ditames do todo-poderoso Partido Comunista.

A vítima mais recente é o ‘rapper’ PG One, cujas letras arrojadas fizeram soar os alarmes entre os censores do regime, que, prontamente, proibiram o seu hip-hop. O músico, que ainda há pouco era ídolo nacional, passou a proscrito mal as suas palavras tocaram tabus do regime. Agora, as suas músicas foram banidas das plataformas de descarga e deixou de ser ouvido nos meios de comunicação estatizados. A campanha não é apenas contra PG One.

Os censores questionam agora todo aquele género musical oriundo dos EUA com o argumento de que ele gera um conflito de valores e desafia a moralidade do Partido Comunista. A juventude chinesa, ávida cada vez mais do que vem de fora, irá certamente contornar esta proibição. Afinal, se por um lado há cada vez mais riqueza nas cidades chinesas (os carros continuam vertiginosamente a substituir as bicicletas), há também um musculado controlo daquilo a que a população pode ter acesso. E há quem fuja a este controlo. O país continua a fechar portas ao Facebook, ao Snapchat, a sites ocidentais. E a livros, filmes ou jornais que o regime não controla.

E, enquanto isso, é de prever que no Ano do Cão que agora começa as perspetivas de crescimento da economia chinesa acompanhem a tendência iniciada em 2017. É expectável que a China continue sustentadamente a assumir posições em várias economias internacionais ou que os chineses continuem a viajar cada vez mais, transformando o país em potência de turistas. E é de adivinhar que as cidades chinesas continuem o crescimento desenfreado que as está a tornar irrespiráveis. Ou que os direitos humanos continuem a ser um valor menor. O Ano do Cão pode ser um ano novo, mas não será de grandes mudanças.

Conjunto de rituais

A celebração do Ano Novo implica um conjunto de tradições. Vejamos algumas:

Limpar a casa - Acredita-se que varre a má sorte.

Decorações - O vermelho é a cor da boa sorte. Colam-se recortes de papel nas janelas. Utilizam-se lanternas de papel.

Acalmar o deus da cozinha - Oferece-se um ‘sacrifício’ de alimentos e água.

Visitar um templo - É tempo de orar e pedir boa sorte.

Fogo de artifício - É tradição quando o Ano Novo começa.

Fotografia - Imagem de família é uma cerimónia relevante.

Presentes - Oferecido dinheiro em envelopes vermelhos.

Festival das lanternas - O auge das festividades.

Visitas e oficinas 

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