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Correio da Manhã

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Chirac relança debate europeu

Jacques Chirac parece apostado em fazer descolar a França do 'não' em referendo que acabou por 'congelar' o projecto constitucional europeu. O presidente francês apelou a novas ideias para o desenvolvimento da União Europeia e insistiu na nacessidade de a Turquia reconhecer o Chipre antes de entrar na comunidade.
29 de Agosto de 2005 às 15:39
Jacques Chirac
Jacques Chirac FOTO: d.r.
Perante 150 embaixadores, reunidos em Paris na conferência anualmente organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de França, Chirac foi directo ao assunto: "Devemos ter em linha de conta as preocupações e expectativas expressadas (no referendo europeu) a 29 de Maio e criar um novo consenso e um novo apoio francês ao projecto europeu".
Os problemas económicos (desemprego e salários baixos) parece que foram os grandes responsáveis pela 'decisão europeia' dos franceses.
Não é de estranhar, pois, que o presidente francês tenha apelado a um diálogo mais "exigente" com o Banco Central Europeu e à definição de mecanismos que envolvam mais as comunidades locais nos processos europeus de decisão política. Todos estes apelos em relação ao futuro foram sujeitos a uma máxima do passado: a França e a Alemanha continuarão a ser o 'motor' da Europa comunitária.
Chirac também apelou ao Irão que aceite as contrapartidas da UE para abdicar do seu programa nuclear. Mas este avanço em políticas europeias concretas foi um pormenor, relativamente ao assunto que Chirac tem vindo a escolher para manter viva no espírito dos franceses a ideia europeia... nem que seja por tocar a mesma tecla crítica, no caso a turca.
O presidente francês insistiu em como a Turquia deve reconhecer o (governo grego do) Chipre antes de aderir à UE. A opinião pública de muitos países comunitários, com destaque para a francesa, opõe-se à adesão turca. Chirac sabe isso e insiste em relembrar o tema, como que para dizer aos franceses que as suas preocupações são ouvidas nos corredores da política europeia.
Mas quando foi a altura de votar, em Dezembro do ano passado, a diplomacia francesa não bloqueou o convite á Turquia para negociações de adesão. Anacara ficou apenas sujeita a uma condição; ratificar um protocolo alfandegário. Fê-lo a 29 de Julho, mas anexou um memorando, no qual sublinha que ao assinar o protocolo não está a reconhecer o Chipre.
Chirac insiste em como essa ressalva levanta questões políticas e legais e não está em sintonia com o espírito comunitário. Hoje, perante 150 embaixadores, voltou a defender a tese. Mas a Comissão Europeia contrapõe que Ancara não precisa de reconhecer formalmente o Chipre para entrar em negociações de adesão, previstas começar a 3 de Outubro próximo e prolongar-se durante uma década.
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