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Correio da Manhã

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CIA enganou sobre técnicas de interrogatório

Agência escondeu pormenores sobre a dureza dos métodos.
1 de Abril de 2014 às 14:33

A CIA induziu em erro o governo e a opinião pública norte-americana sobre parte do seu programa de interrogatórios durante anos, segundo um relatório de uma comissão do Senado citado hoje pelo Washington Post.

Em concreto, segundo a comissão de serviços de informações do Senado, a CIA escondeu pormenores sobre a dureza dos seus métodos, exagerou a importância de suspeitos detidos e reclamou os louros de informações cruciais fornecidas por detidos antes de serem submetidos às chamadas técnicas reforçadas, escreve o diário norte-americano.

O relatório, de 6.300 páginas, foi elaborado com base na cronologia detalhada de dezenas de detidos da CIA e descrito ao Washington Post por atuais e antigos responsáveis políticos norte-americanos sob condição de anonimato.

Segundo o jornal, o relatório descreve um padrão sustentado de alegações não fundamentadas, com base nas quais a Agência Central de Informações dos Estados Unidos pediu autorização - e mais tarde defendeu - para usar métodos de interrogatório violentos que não produziram informações significativas, segundo os responsáveis.

"A CIA descrevia repetidamente (o programa), tanto ao Departamento de Justiça como mais tarde ao Congresso, como (permitindo) obter informações únicas que não podiam ser obtidas de outra forma e que ajudaram a desmantelar conspirações terroristas e a salvar milhares de vidas", disse um dos responsáveis. "Isso era verdade? Não", acrescentou.

O relatório inclui novas revelações sobre a rede de prisões secretas operadas pela CIA e relata casos até agora desconhecidos de abusos, como a submersão repetida de um suspeito em tanques de água gelada no Afeganistão.

Este método apresenta várias semelhanças com o 'water boarding' (simulação de afogamento), mas nunca foi incluído em nenhuma lista de técnicas aprovadas pelo Departamento de Justiça, segundo o jornal.

O relatório abrange os anos em que a CIA foi dirigida por Leon Panetta (2009-2011), mais tarde secretário da Defesa da presidência Obama (2011-2013).

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