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Estudantes de todo o país estão fartos de "blá blá blá" e exigem ação sobre o clima

Estudantes saem à rua em várias cidades para pedir acção contra as alterações climáticas.
Lusa 15 de Março de 2019 às 12:04
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Estudantes saem à rua em várias cidades para pedir acção contra as alterações climáticas.

Estudantes portugueses de pelo menos 26 cidades associaram-se esta sexta-feira à greve mundial pelo clima, que visa exigir dos políticos ações concretas contra as alterações climáticas, segundo a organização.

"O objetivo desta greve é chamar a atenção do Governo para a urgência deste problema e exigir uma ação governamental face ao mesmo, se não agirem agora será a geração atual de estudantes que irá sofrer mais, estão de certa forma a hipotecar as nossas hipóteses de futuro", disse à Lusa Duarte Antão, um dos coordenadores nacionais da greve.


Numa antecipação dos protestos, de acordo com Duarte Antão, estudante da Faculdade de Direito de Coimbra, não é possível calcular o número de pessoas que vão sair à rua por todo o país, mas através das redes sociais e dos contactos que têm vindo a receber os "números parecem bastante promissores."

Em Portugal, estão previstos protestos durante a manhã, entre outras cidades, em Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Covilhã, Aveiro, Évora e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.

Coimbra farta de "blá, blá, blá"

Mais de mil estudantes concentraram-se esta sexta-feira junto à Câmara Municipal de Coimbra, onde envergaram cartazes e entoaram gritos de protesto a apelar a políticas contra as alterações climáticas, pois estão "fartos de blá blá blá".


A zona à frente da Câmara Municipal de Coimbra tornou-se pequena para tantos alunos que se foram ali concentrando, com cartazes onde se podia ler "A terra está com febre", "Mudem a política, não o clima" ou "Turistas querem bacalhau? Já só temos plástico".

Pelo meio, os mais de mil estudantes foram entoando gritos de protesto.

Alunos de Lisboa lembram que não há 'Planeta B'

Milhares de estudantes estão desde as 11:00 a desfilar do Largo Camões até à Assembleia da República, em Lisboa, num protesto para exigir dos políticos ações contra as alterações climáticas e no qual gritam que "não há planeta B".

Empunhando cartazes onde se lê "A Terra esgotou a sua paciência e nós também", "Justiça climática já", ou ainda "Estado de Emergência", os jovens desfilam e gritan palavras de ordem entre as quais a mais reclamada é: "Não há Planeta B".

Entre as várias mensagens espalhadas ao longo da marcha encontram-se também cartazes com palavras em inglês como por exemplo "We are skipping our lessons to teach you one (estamos a faltar às aulas para te dar uma [aula].

Pelas 11:45, os estudantes chegaram à Assembleia da República onde estão concentrados junto à escadaria num protesto ruidoso.

António Tonga, 25 anos, um dos muitos estudantes que hoje se associaram a este protesto disse à Lusa que o problema das alterações climáticas está a tornar-se secundário "temos de olhar para as alterações climáticas como um problema incontornável que vai boicotar o futuro de todos, por isso pedimos a ajuda dos políticos para resolver um problema que já devia ser resolvido há muito tempo".


Protestos em Évora

Cerca de 600 estudantes percorreram hoje as principais ruas do centro histórico de Évora, empunhando cartazes e gritando palavras de ordem em defesa do planeta e a exigir medidas governamentais para combater as alterações climáticas.

Os participantes concentraram-se, inicialmente, na Praça do Giraldo, considerada a sala de visita da cidade, onde alguns discursaram, através de um megafone, e todos, em conjunto, entoaram palavras de ordem.

"Ó senhor ministro explique por favor porque é que no inverno faz calor", foi uma das frase mais vezes entoadas pelos estudantes, ao mesmo tempo que seguravam cartazes com frases como "não há planeta B" e "- CO2 + futuro".

Numa grande faixa de pano preto com letras a branco e amarelo, transportada por dois jovens, alertavam: "Se o planeta morrer não temos outro para viver, exigimos medidas governamentais já".

Os estudantes, onde se que incluía um pequeno grupo de crianças do pré-escolar de uma escola das cidade, desfilaram, depois, em marcha lenta, pelas principais ruas do centro histórico de Évora, culminando o protesto junto ao edifício da câmara municipal.

Marcha no Faial

Cerca de três dezenas de jovens açorianos juntaram-se esta manhã em frente à Assembleia Legislativa da região, na ilha do Faial, empunhando cartazes e pedindo ações concretas contra as alterações climáticas.

Acompanhados por alguns adultos, inclusive pais de alguns dos alunos, os jovens concentraram-se em frente ao parlamento dos Açores e andaram cerca de 200 metros até às instalações da Direção Regional do Ambiente do executivo açoriano, situada também na cidade da Horta.

"Sabemos que o problema é do mundo inteiro, mas é importante chamar a atenção para tudo isto e dizer que ainda não é tarde", disse à agência Lusa João, aluno na secundária Manuel de Arriaga.

400 contra a poluição em Faro

Cerca de 400 estudantes, provenientes um pouco de todo o Algarve, concentraram-se hoje à entrada de Faro, onde envergaram cartazes, entoaram gritos de protesto contra as alterações climáticas, e apelaram aos governantes por "mais união, menos poluição".

"Nós somos a primeira geração a ser afetada, a estudante da Suécia [Greta Thunberg] é uma inspiração para todo o mundo e nós portugueses às vezes somos deixados de parte, tal como o Algarve, e queremos ser ouvidos. Até porque o governo não está a dar a devida atenção a este problema", reivindicou Margarida Roxo.

A estudante de 16 anos, do curso de Artes, da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro, foi uma das responsáveis por este movimento ser realizado também na capital algarvia.

"Pensei em ir a Lisboa, porque na altura era um dos únicos locais previstos, juntamente com Coimbra e Porto, mas seria difícil para muitos estudantes fazer essa viagem, então enviei uma proposta ao grupo nacional que aceitou. Vieram estudantes do todo o Algarve, desde Loulé, Tavira, Portimão ou Vila Real de Santo António", rejubilou.

Entre os cerca de 400 estudantes presentes, na maioria do ensino secundário, marcaram presença também alguns alunos universitários, como Inês Nunes, de 20 anos, que frequenta o curso de psicologia, da Universidade do Algarve.

"Ainda temos 12 anos para reverter o que foi feito até agora pelas gerações anteriores, de forma a tentar não acabar com o único planeta que temos. Quanto a faltar às aulas, acho que nem sequer teremos futuro se não estivéssemos aqui hoje", salientou.

Braga denuncia "planeta doente"

Centenas de alunos de Braga faltaram hoje às aulas e marcharam, pacífica mas ruidosamente, pela cidade, no âmbito de uma greve estudantil mundial para exigir dos políticos ações concretas contra as alterações climáticas.

"Tivemos de faltar às aulas, mas achámos que era muito mais importante estarmos aqui, porque o nosso planeta está muito doente", atirou Inês, de 13 anos e aluna da Escola D. Maria II.

Ao lado da Inês, estavam Fátima e Joana, colegas de turma, tendo as três dividido em partes iguais uma folha de cartolina para levarem para a manifestação de hoje, com as respetivas mensagens.

"Se todos ajudarmos, ainda podemos salvar o planeta", refere Inês, sublinhando que "pequenos gestos" do dia-a-dia, como partilhar cartolina, podem fazer "toda a diferença".

Marta, 18 anos, estuda Línguas e Literaturas Europeias na Universidade do Minho e também não quis deixar de responder à chamada, faltando às aulas para se juntar a este "grito de alerta" acerca das alterações climáticas.

"Aulas há muitas, planetas só temos este. Este é o nosso planeta, aqui está o nosso futuro. Todos somos poucos para dar força a esta mensagem", sublinha.

Após uma concentração na Avenida Central, os estudantes marcharam pela cidade, com palavras de ordem como "Deixem passar, sou ativista e o planeta vou salvar" e "António não quer saber e a costa a desaparecer".


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