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Correio da Manhã

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Co-incineração avança dentro de um ano

A co-incineração de resíduos industriais perigosos vai mesmo avançar e será realizada nas cimenteiras de Souselas, em Coimbra, e de Outão, em Setúbal, entrando em funcionamento em regime de cruzeiro dentro de um ano, anunciou esta sexta-feira o ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, durante a apresentação do relatório da Comissão Científica Independente, no Porto.
3 de Março de 2006 às 15:48
Segundo o ministro, segue para co-incineração apenas uma fracção de dez a 20 por cento dos resíduos industriais, ou seja, aqueles que não poderão ser recuperados ou valorizados pelos CIRVER (Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Industriais Perigosos).
Nunes Correia revelou ainda que, dentro de três a seis meses, serão iniciados testes e até ao final do ano estará a ser co-incinerada a fracção de resíduos com um licenciamento mais expedito e, dentro de um ano, a co-incineração estará a funcionar “em regime de cruzeiro”.
Baseando a política governamental para os resíduos industriais perigosos (RIP) nos dois CIRVER e na co-incineração, Nunes Correia considerou “absolutamente imperioso resolver o problema dos RIP em Portugal”.
“A co-incineração é hoje uma prática corrente, consagrada na Convenção de Basileia, alvo de directivas europeias e transposta para direito nacional. É uma prática realizada em cerca de 60 cimenteiras na Europa dos 15”, salientou o ministro.
Nunes Correia garantiu que as “técnicas de hoje são absolutamente seguras e que será realizado um controlo transparente do processo”.
Refira-se que anualmente são produzidas em Portugal 250 mil toneladas de RIP.
SOUSELAS AMEAÇA COM PROVIDÊNCIA CAUTELAR
A Junta de Freguesia de Souselas admite interpor uma providência cautelar para impedir os testes de co-incineração de resíduos industriais perigosos. “Temos respeito pelos cientistas, mas o estudo hoje divulgado foi apara dar apoio a uma decisão política que já estava tomada. O factor humano foi completamente esquecido, pois o Governo ignorou um estudo da Administração Regional de Saúde do Centro que indica que a população de Souselas está doente”, afirmou João Pardal, presidente da Junta de Souselas.
Também a Câmara de Setúbal já prometeu encabeçar os movimentos de contestação à co-incineração na cimenteira do Outão, admitindo abandonar o lugar na Comissão de Acompanhamento Ambiental da Secil, segundo revelou o vereador do Urbanismo da autarquia, Aranha Figueiredo, considerando ainda que esta decisão põe em causa o património natural e ambiental da Arrábida.
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