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CPLP alinha cooperação com agenda da ONU

Objetivo é atrair fundos, numa altura em que conta com menos recursos financeiros.
28 de Outubro de 2016 às 04:21
O diretor de cooperação da CPLP, Manuel Lapão
O diretor de cooperação da CPLP, Manuel Lapão FOTO: Direitos Rerservados

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) procura alinhar a sua estratégia de cooperação com a Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável para atrair fundos, numa altura em que conta com menos recursos financeiros.

Segundo o diretor de cooperação da CPLP, Manuel Lapão, o grupo procura "perceber como é que isto pode ser feito, encaixando os interesses e as estratégias nacionais com uma estratégia mais global", alinhada até com a nova Visão Estratégica da CPLP.

O responsável, que falava na quinta-feira, após a 33.ª reunião dos pontos focais de cooperação da comunidade, em Brasília, sublinhou que "a CPLP é citada como exemplo de boas práticas em algumas áreas", como a "luta contra o trabalho infantil", e que está "a desperdiçar aqui uma oportunidade", dado que várias organizações internacionais têm manifestado interesse em trabalhar com o grupo de cooperação da CPLP para enfrentar problemas globais.

Fora dos pontos focais, Manuel Lapão deu o exemplo do que já acontece com o trabalho que está a ser feito na segurança alimentar, em que a CPLP tem "estado a trabalhar muito articuladamente com a FAO", a sigla em inglês para a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

O diretor de cooperação da CPLP admitiu que o trabalho que dirige "será naturalmente afetado por este cenário de alguma restrição económica que se vive" nos Estados-membros, mas realçou a oportunidade para cooperar mais com o setor privado, até no âmbito da Agenda 2030, que "apela decisivamente à captação de recursos em fontes alternativas".

Para Manuel Lapão, a nova Visão Estratégica da CPLP, que deverá ser aprovada na cimeira de segunda e terça-feira em Brasília, e que prevê uma maior aposta na vertente económica e empresarial, "não deverá constituir uma ameaça" para a cooperação.

Pelo contrário, vincou, será uma "oportunidade" para "se conseguirem novas parcerias" e captar recursos, inclusive no âmbito dos processos de responsabilidade social das empresas.

Manuel Lapão destacou a "visão de transversalidade" abordada durante a reunião, dado que, por exemplo, uma ação de luta contra a fome gera igualmente impactos positivos noutros setores, como o da saúde.

Os países presentes na reunião acordaram assim em "tentar alinhar", para que, "como os recursos são poucos, o investimento que é feito numa determinada área projete o máximo possível de impacto".

Quanto ao Ano da CPLP contra o Trabalho Infantil, em 2016, Manuel Lapão falou num impacto que tem "surpreendido", destacando "a politização do tema", que "influenciou decisivamente Timor-Leste a fazer o processo de ratificação" do convénio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) relativo à idade mínima para trabalhar, prevista para 2017.

A CPLP leva 20 anos e conta com nove Estados-membros: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Fundo de cooperação financia projeto para termos científicos em portuguêsA Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) acordou em destinar fundos de cooperação para a criação das terminologias técnico-científicas em português e para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP) da Guiné-Bissau.

A decisão foi tomada na 33.ª reunião dos pontos focais de cooperação da comunidade, que decorreu entre quarta e quinta-feira em Brasília, capital do Brasil, país que vai presidir à CPLP até 2018.

Para além das propostas previstas para aprovação, foi decidido apostar no relançamento do INEP, que "vai receber agora recursos para reenquadrar todo o seu funcionamento", nomeadamente "35 mil euros agora da reunião dos pontos focais e mais 24 mil do fundo específico que a CPLP tinha para a Guiné-Bissau", disse à Lusa o diretor de cooperação da CPLP, Manuel Lapão.



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