Associação quer permitir mudança de nome na infância.
A Associação de Pais e Mães pela Liberdade de Orientação Sexual (AMPLOS) quer que a legislação nacional permita às crianças transexuais mudarem de nome no registo civil, lembrando que estas não são livres de serem quem realmente são.
O tema é controverso e pouco falado, motivando, por isso mesmo, uma conferência internacional que decorre este sábado em Lisboa, e onde vai ser discutida a diversidade de género na infância, desde as questões legais à problemática nas escolas, juntando especialistas e ouvindo as famílias.
De acordo com a presidente da AMPLOS, "há cada vez mais crianças a fazerem o seu 'coming-out' em crianças e a conversarem com os pais e a insistirem nas suas escolhas e nas suas manifestações de género".
Margarida Faria explicou que as pessoas transgénero são-no desde a infância e revelou que a AMPLOS tem acompanhado pais de jovens transgénero que assumem que desde muito precocemente, na sua infância, não se identificavam com o género com que tinham nascido ou com a forma como eram tratados.
Na opinião da mesma responsável, Portugal é um país "standardizado", onde os papéis de género estão muito marcados, dando como exemplo o que sucede nas escolas, onde "as pessoas que lidam de perto com estas crianças não estão preparadas para as deixar ser quem são de uma forma livre" e onde as crianças são alvo de discriminação.
Em declarações à agência Lusa, a investigadora Sandra Saleiro, do Centro de Investigação e Estudos Sociais (CIES), do Instituto Universitário de Lisboa (IUL), disse que encontrou muitos casos de jovens que desistiram da escola, quando trabalhou na sua tese de doutoramento sobre "Trans Géneros: Uma abordagem sociológica da diversidade de género".
"Muitos jovens desistem da escola porque além da discriminação mais ativa há também outra discriminação pelo facto de as pessoas serem chamadas pelo nome pelo qual não se reconhecem", apontou, acrescentando que isso faz com que as crianças e jovens não se sintam incluídos.
A presidente da AMPLOS, por seu lado, explicou que está provado cientificamente que é aos três anos que as crianças descobrem a sua genitália e aos quatro sabem identificar-se como menino ou menina, conseguindo igualmente perceber "se são ou não crianças diferentes".
"A verbalização perante os pais podem acontecer aos sete anos de idade de uma forma muito assertiva", garantiu.
Nesse sentido, explicou que a partir dos sete anos as crianças estão aptas a fazer a sua transição social, ou seja, a assumirem-se com o género com o qual se identificam, razão pela qual entende que os registos escolares deviam ter o nome da criança em consonância.
"Isso é fundamental para a sua autoestima e para a sua integração social", sustentou, defendendo que o Ministério da Educação produza um documento que normalize essa opção.
Exigiu, por outro lado, que a legislação nacional permita às crianças mudarem de nome no registo civil, dando como exemplo o caso de uma mãe mexicana, que hoje vai contar o processo pelo qual passou até conseguir a mudança de nome da filha quando esta tinha 9 anos.
Para a investigadora Sandra Saleiro, uma coisa é certa: Tem que haver procedimentos que salvaguardem os interesses das pessoas trans ainda em crianças.
"Não se pode estar a pensar nos direitos e garantias a partir dos 18 anos, porque não é a partir daí que se começa a experienciar a identidade de género. Há que salvaguardar os direitos destas crianças", defendeu.
Para a investigadora, as escolas têm que estar preparadas para receber estas crianças e tratá-las de modo a que elas possam expressar-se livremente em termos de género.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.