Dois homens identificados como soldados turcos foram feitos reféns pelos 'jihadistas'.
O grupo extremista Daesh afirmou ter queimado vivos dois soldados turcos na Síria, onde a Turquia prosseguiu hoje bombardeamentos contra o bastião 'jihadista' de Al-Bab provocando dezenas de mortos entre a população civil, segundo uma ONG.
Um vídeo difundido na noite de quinta-feira pela "Província de Alepo" do Daesh mostra dois homens identificados como soldados turcos feitos reféns pelos 'jihadistas' a serem atados e imolados pelo fogo.
A difusão destas imagens brutais surgiram no momento em que o exército turco, que combate o Daesh no seu bastião de Al-Bab no norte da Síria, registou esta semana as suas piores baixas entre os militares desde o início da incursão transfronteiriça no final de agosto.
O Presidente turco Recep Tayyip Erdogan, sem se referir ao vídeo do Daesh, afirmou hoje que a situação em Al-bab está "quase resolvida", adiantando que as forças turcas e os rebeldes do Exército sírio livre estão em vias de ocupar a localidade.
No entanto, o ministro da Defesa turco, Fikri Isik, admitiu pouco depois que o Daesh detém três soldados turcos como prisioneiros, sem adiantar mais detalhes.
"Sabemos que três dos nossos soldados estão nas mãos do 'Daesh' [acrónimo árabe do EI], mas para além disto, tudo o resto são interpretações e não informações confirmadas", disse.
O ministro fez estas declarações à cadeia de televisão CNNTürk numa aparente referência ao vídeo, mas assinalou que "não deve ser dada credibilidade a informações não confirmadas", acrescentando numa referência a essa notícia, que na Turquia apenas foi difundida por alguns 'media' da oposição.
O Observatório sírio dos direitos humanos (OSDH) indicou hoje que 88 civis, incluindo 24 crianças, foram mortos por bombardeamentos turcos sobre Al-Bab. Ancara, que há várias semanas tenta conquistar este bastião do EI, assegura que estão a ser evitadas as mortes de civis.
O estado-maior turco citado pela agência pró-governamental Anadolu reclamou hoje ter "morto 18 terroristas do 'Daesh', incluindo altos responsáveis", e "destruído o quartel-general do EI em Al-Bab".
As autoridades turcas ainda não tinham reagido na noite de sexta-feira à divulgação do vídeo do EI. Erdogan pronunciou o seu discurso durante o dia, sem mencionar o assunto.
Ozgür Ozel, deputado do partido CHP (social-democrata), principal força da oposição, dirigiu ao primeiro-ministro Binali Yildirim uma questão por escrito onde pergunta designadamente se o governo examinou as imagens e se estas eram fidedignas.
No vídeo, um homem que se exprime sobretudo em turco, acusa o Presidente Erdogan de ter permitido à coligação internacional liderada pelos Estados Unidos o acesso à base aérea turca de Incirlik, e apela a "semear a destruição" na Turquia.
Ainda hoje, indicou a Anadolu, a polícia turca deteve em Istambul 31 pessoas suspeitas de ligações ao EI, mas não foi precisado se esta ação está relacionada com o vídeo. Em paralelo, cerca de 20 pessoas que pretendiam concentrar-se em Istambul para denunciar "a responsabilidade do governo no assassinato dos dois soldados pelo Daesh" foram presas, informou a agência noticiosa France-Presse.
Na quarta-feira, 16 soldados turcos foram mortos em Al-Bab, o balanço mais mortífero registado poe Ancara num único dia desde o início, em 24 de agosto, da sua intervenção militar no norte da Síria contra o Daesh e que também visa as milícias curdas locais que combatem os 'jihadistas'.
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