Raul Danda declarou que é "com bastante mágoa e tristeza" que olha para as autoridades portuguesas.
O deputado da UNITA, Raul Danda, considerou hoje "uma verdadeira insanidade" que o Governo angolano negue a existência de um conflito armado em Cabinda, vendo "com mágoa" o papel de Portugal.
Raul Danda, deputado eleito pelo círculo de Cabinda, falava hoje à agência Lusa, à margem de uma conferência de imprensa do 'governo sombra' da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), no qual assume o cargo de primeiro-ministro, sobre a Situação Socioeconómica e Estado do Ensino em Angola.
O dirigente da UNITA, maior partido da oposição angolana, reagia aos ataques militares anunciados nos últimos dias pela Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), que lidera o conflito armado naquela província geograficamente delimitada pela Republica Democrática do Congo e pelo Oceano Atlântico, de que terão resultado várias mortes.
"Acho que é uma verdadeira insanidade negar a existência do conflito em Cabinda, é uma insanidade chamar àquilo de incidentes, não é incidentes, há um conflito militar que ocorre em Cabinda", referiu Raul Danda.
A prova desse conflito, prosseguiu, tem estado a ser mostrada pela FLEC através de "vídeos e a anunciar datas", inclusive, em que demonstram que "estão lá de pedra e cal, bem fardados, bem armados, e a criar problemas".
"Apesar de tudo o que se esconde, se se for a olhar para o Hospital Militar de Cabinda, os feridos, os mortos - que é possível recuperar, porque nem todos é possível recuperar, tendo em conta a densidade da floresta - todos passam por ali, e em Cabinda as pessoas sabem", reforçou.
O deputado salientou que tem dito reiteradas vezes que quanto mais o Governo angolano adia o debate sobre a situação, "mais radicaliza os espíritos".
Para Raul Danda, hoje, a FLEC não pode ser vista apenas como uma organização político-militar, "mas é preciso que o Governo olhe para esta FLEC com um sentimento".
"Há pessoas que estão em Cabinda, estão em qualquer outro sítio, mas são de Cabinda, e não são membros da FLEC, não têm qualquer filiação, ligação, à FLEC, e é isso que é preciso ver", disse.
Quanto ao papel de Portugal neste processo, Raul Danda declarou que é "com bastante mágoa e tristeza" que olha para as autoridades portuguesas.
"Em tempos ouvi o Dr. Durão Barroso a reconhecer o erro que cometeu quando se associou ao ataque ao Iraque, e eu pensei cá com os meus botões, qualquer dia também os portugueses têm que vir reconhecer a grande falha que tiveram na descolonização desse país, desse território, e não o fazem, infelizmente", referiu.
De acordo com o deputado da UNITA, grande parte dos políticos portugueses "são aqueles que na altura em que estão na oposição dizem muitas verdades, mas basta chegar ao poder ficam todos alinhados com o Governo da Cidade Alta [em Luanda, onde se encontra o Palácio Presidencial] por causa do dinheiro".
"Felizmente, já não têm dinheiro para corromper ou poder comprar consciências. Eu não gosto muito de falar do poder político português, para mim não significa nada, não vale grande coisa", reforçou.
De acordo com Raul Danda, o Governo angolano tem de tentar encontrar uma solução para aquele caso, "sob pena de estar a fazer um papel pior do que o que os portugueses fizeram".
"E acho uma grande falta de senso não se partir para aí, porque isto é uma coisa inevitável, não se vai conseguir manter aquela situação, por mais que se minta. Porque as mentiras têm sido já históricas, já gastas, é sempre dizer que a FLEC não existe, mas depois de dois, três meses, estamos a negociar com a FLEC", frisou.
O deputado considerou que a ONU reconheceu a existência da organização, "quando a FLEC atendeu, como uma das 16 organizações rebeldes que responderam positivamente ao apelo do secretário-geral das Nações Unidas [António Guterres], para pararem temporariamente as ações militares por causa da covid-19".
Na semana passada, a FLEC anunciou, num "comunicado de guerra", assinado pelo general de brigada e porta-voz do Estado-Maior-General das Forças Armadas Cabindesas (FAC), António Rosário, a morte de quatro militares das Forças Armadas Angolanas, em confrontos naquele enclave, que provocaram ainda a morte de seis civis e dois dos seus combatentes.
Na segunda-feira, o movimento independentista anunciou mais 11 mortes, entre civis e militares, e apelou à mediação internacional para encontrar uma solução pacífica para o conflito.
A FLEC, através do seu "braço armado", as FAC, luta pela independência no território alegando que o enclave era um protetorado português, tal como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, assinado em 1885, e não parte integrante do território angolano.
Criada em 1963, a organização independentista dividiu-se e multiplicou-se em diferentes fações, efémeras, com a FLEC/FAC a manter-se como o único movimento que alega manter uma "resistência armada" contra a administração de Luanda.
Mais de metade do petróleo angolano provém desta província angolana.
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