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Discriminação pela idade é maior nos países ricos

Fenómeno está generalizado, alerta Organização Mundial de Saúde.
Lusa 29 de Setembro de 2016 às 14:14
Organização Mundial de Saúde, Dia Internacional das Pessoas Idosas, agência das Nações Unidas para a Saúde, OMS, John Beard, Curso de Vida, Curso de Vida na OMS, saúde, questões sociais, grupos populacionais, terceira idade
Organização Mundial de Saúde, Dia Internacional das Pessoas Idosas, agência das Nações Unidas para a Saúde, OMS, John Beard, Curso de Vida, Curso de Vida na OMS, saúde, questões sociais, grupos populacionais, terceira idade FOTO: Christian Hartmann/Reuters

A Organização Mundial de Saúde alertou esta quinta-feira que a discriminação em função da idade é um problema generalizado, sobretudo nos países ricos, com impacto negativo na saúde física e mental dos idosos, contribuindo para a depressão e isolamento.

Num comunicado hoje distribuído para assinalar o Dia Internacional das Pessoas Idosas, a agência das Nações Unidas para a Saúde revela os resultados de um inquérito que conclui que 60% das pessoas consideram que os idosos não são respeitados.

O estudo da OMS, que abrangeu mais de 83 mil pessoas em 57 países, visava avaliar as atitudes perante os idosos em todas as faixas etárias e concluiu que os níveis mais baixos de respeito surgem nos países de alto rendimento.

"Esta análise confirma que o etarismo [discriminação em função da idade] é extremamente comum. No entanto a maioria das pessoas não tem qualquer consciência dos estereótipos subconscientes que mantém sobre as pessoas mais velhas", disse John Beard, diretor da OMS para o Envelhecimento e Curso de Vida.

O responsável compara esta forma de discriminação com o sexismo e o racismo e lembra que é possível mudar as normas sociais.

"É tempo de parar de definir as pessoas pela sua idade. Isso resultará em sociedades mais prósperas, mais igualitárias e mais saudáveis".

É que as atitudes negativas sobre o envelhecimento e os idosos podem ter "consequências significativas para a saúde física e mental" dos idosos, alerta a OMS.

Os idosos que se veem como um fardo percecionam a sua vida como tendo menos valor, o que os coloca em risco de depressão e isolamento social.

Estudos recentes citados pela OMS mostram que as pessoas mais velhas que têm uma ideia negativa do seu próprio envelhecimento não recuperam tão bem das doenças e vivem em média menos 7,5 anos do que as pessoas com uma atitude mais positiva.

Até 2025, estima-se que o número de pessoas com mais de 60 anos duplique, e até 2050 deverá alcançar os dois mil milhões em todo o mundo.

Alana Officer, coordenadora do departamento de Envelhecimento e Curso de Vida na OMS, lembra que "o etarismo pode ter muitas formas", incluindo a representação das pessoas idosas como frágeis, dependentes e desligadas da realidade nos media, práticas discriminatórias como o racionamento dos cuidados de saúde por idade ou políticas institucionais como a reforma obrigatória a uma determinada idade.

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