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Donald Trump faz escolhas polémicas para Departamento de Justiça e CIA

Senador do Tea Party na CIA, Justiça nas mãos de político muito crítico de imigrantes.
Lusa 18 de Novembro de 2016 às 15:25
Jeff Sessions
Jeff Sessions FOTO: Reuters

O Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu atribuir o Departamento de Justiça ao controverso senador Jeff Sessions e convidou Mike Pompeo, um republicano associado ao movimento conservador Tea Party, para chefiar a CIA, foi hoje divulgado.

Estas informações estão a ser avançadas pelos 'media' norte-americanos que citam fontes próximas, não identificadas, da equipa de transição de Trump.

O possível novo procurador-geral dos Estados Unidos (o equivalente ao ministro da Justiça português) Jeff Sessions, de 69 anos, tem sido uma das vozes mais ativas contra a imigração ilegal, um dos principais temas da campanha eleitoral de Trump, que prometeu expulsar os cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem atualmente em território norte-americano caso fosse o vencedor das eleições do passado dia 08 de novembro.

Oriundo do sul dos Estados Unidos, Sessions representa o estado do Alabama no Senado (câmara alta do Congresso norte-americano) desde 1997 e assumiu protagonismo quando se opôs, durante as administrações de George W. Bush (republicano) e de Barack Obama (democrata), a vários projetos para a regularização de imigrantes ilegais.

Também tem gerado controvérsia com os seus comentários racistas.

Atualmente, e desde abril de 2015, o cargo do procurador-geral é assumido pela advogada Loretta Elizabeth Lynch.

De acordo com fontes não identificadas da equipa de transição, igualmente citadas pelos 'media' norte-americanos, o multimilionário convidou ainda para a liderança da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) Mike Pompeo, de 52 anos, que representa o estado do Kansas na Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso).

Associado ao Tea Party (ala mais conservadora do Partido Republicano), Mike Pompeo integrou a comissão de inquérito do Congresso -- atualmente dominado pelos republicanos -- sobre o ataque à missão diplomática americana em Benghazi (Líbia) em 2012, no qual quatro cidadãos americanos morreram, incluindo o embaixador Chris Stevens.

Num relatório de 800 páginas, esta comissão acusou a ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton, na altura do ataque secretária de Estado, de ter minimizado a ameaça 'jihadista' na Líbia.

Pompeo é igualmente um reconhecido opositor do acordo nuclear com o Irão e um acérrimo defensor dos sistema de vigilância em massa.

Os 'media' americanos estão ainda a avançar que o lugar de conselheiro para a segurança nacional será entregue ao tenente-general aposentado Michael Flynn, de 58 anos. Flynn chefiou os serviços secretos militares (Defense Intelligence Agency) entre 2012 e 2014.

A estação de televisão CNN referiu que um anúncio oficial sobre estas nomeações é esperado ainda hoje.

A confirmação oficial destas nomeações seria conhecida ao início da tarde de hoje através de um comunicado da equipa de transição de Trump, que também adiantou que os três responsáveis tinham aceitado o convite do Presidente eleito.

"Estou entusiasticamente envolvido com a visão do Presidente eleito Trump por 'uma América' e com o seu compromisso de uma justiça de igualdade em conformidade com a lei. Espero cumprir os meus deveres com uma dedicação inabalável à justiça e à imparcialidade", reagiu entretanto Jeff Sessions.

Jeff Sessions e Mike Pompeo precisam da confirmação do Senado antes de assumirem funções. O futuro conselheiro para a segurança nacional Michael Flynn não precisa deste formalismo.

Trump será empossado a 20 de janeiro de 2017, numa cerimónia pública junto ao edifício do Capitólio, em Washington.

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