O presidente do Conselho Europeu é testemunha na investigação do desastre de 2010 que vitimou o Presidente polaco.
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O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, foi esta quinta-feira interrogado durante oito horas na qualidade de testemunha na investigação do desastre aéreo de 2010 que vitimou o então Presidente polaco Lech Kaczynski.
O caso está a ser encarado como uma tentativa para desacreditar o líder da UE, que era primeiro-ministro polaco quando ocorreu o acidente aéreo. O caso estará a ser instigada pelo seu rival de longa data.
Antes do interrogatório, Jaroslaw Kaczynski, o líder do Lei e Justiça (PiS), o partido nacionalista-conservador no poder na Polónia e irmão gémeo do antigo presidente, disse que Tusk "deveria estar com medo".
No entanto, Tusk abandonou a sala de audiências onde depôs como testemunha perante os procuradores para referir que não se deixa intimidar pelo processo, que o seu advogado considerou politicamente motivado.
"Não tenho medo de Jaroslaw Kaczynski, nada do que pode fazer contra mim me assusta", afirmou Tusk, que pediu que a tragédia de Smolensk "não seja utilizada politicamente" e manifestou inquietação pela possibilidade de a ação da justiça poder ser usada "como uma ferramenta contra a oposição política" polaca.
Tusk, que não excluiu "nenhum cenário", incluindo passar de testemunha a indiciado na investigação em curso, já tinha sido convocado pela procuradoria polaca em 5 de julho, mas por motivos de agenda não conseguiu comparecer nessa data.
A comparência tem por objetivo determinar se existiu negligência por parte do executivo polaco na gestão pelas autoridades russas das autópsias dos 96 mortos do desastre aéreo em Smolensk.
Tusk foi primeiro-ministro da Polónia entre 2007 e 2014, durante os governos do partido liberal de centro-direita Plataforma Cidadã, antes se instalar em Bruxelas para ocupar a presidência do Conselho Europeu.
O PiS, que governa com maioria absoluta desde 2015 e com Jaroslaw Kaczynski a promover "na sombra" a maioria das decisões, assegurou em numerosas ocasiões que durante o seu período como primeiro-ministro Tusk não fez o possível para investigar as verdadeiras causas do acidente do avião presidencial polaco.
O Governo polaco considera que as autópsias realizadas por peritos russos não foram corretas, implicando a exumação dos corpos dos falecidos para novas análises. As exumações revelaram que algumas partes os corpos estavam misturadas e que foram enterrados nas campas erradas.
O avião presidencial onde viajava o então chefe de Estado polaco e 95 representantes da elite política, militar e eclesiástica da Polónia despenhou-se quando tentava aterrar no aeroporto russo de Smolensk.
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