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"É bom que se descubra a verdade" sobre curso de comandos

Marcelo acredita que detenções mostram "fortalecimento da democracia" e do Exército.
Lusa 18 de Novembro de 2016 às 12:52
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa FOTO: Lusa

O Presidente da República disse esta sexta-feira que é bom para as Forças Armadas que se descubra a verdade sobre a morte de dois alunos do 127.º curso de comandos, defendendo o respeito escrupuloso do processo judicial em curso.

"Entendo que é bom para as Forças Armadas Portuguesas, para o seu papel histórico, para o seu prestígio, em nome do país e da democracia, é bom que se descubra a verdade, tal como é bom que não se confunda a descoberta da verdade com a relevância que tem o regimento de comandos", afirmou o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, quando questionado sobre a detenção de sete militares, no âmbito do inquérito às circunstâncias do treino que levaram à morte de dois alunos no 127.º curso de Comandos.

Sublinhando que "o processo judicial não só deve ser escrupulosamente respeitado, como deve ser apoiado na base da colaboração legal", o Presidente da República disse que as detenções que se realizaram na quinta-feira "são uma forma de fortalecimento da democracia, das Forças Armadas, do exército e dos comandos".

"Só as instituições muito fortes é que têm a capacidade para se abrirem em termos de transparência e de descoberta da verdade", vincou, em declarações aos jornalistas no final da inauguração do Bazar Diplomático, em Lisboa.

O Presidente da República recordou ainda que, desde o início, defendeu uma "averiguação da verdade até ao fim" e apoiou as posições assumidas pelo ministro da Defesa e pelo Chefe do Estado-Maior do Exército.

"Louvei a iniciativa do Estado-Maior do Exército de abrir averiguações antes mesmo do processo judicial", lembrou também.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu na quinta-feira mandados de detenção a sete militares, cinco oficiais e dois sargentos, no âmbito do inquérito às circunstâncias do treino que levaram à morte de dois alunos no 127.º curso de Comandos.

O diretor da prova, um médico e cinco instrutores são suspeitos da prática de crimes de abuso de autoridade por ofensa à integridade física e serão presentes ao juiz de Instrução Criminal para serem ouvidos na condição de arguidos e para a aplicação de medidas de coação.

Nesta investigação, que corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária Militar.

Dois militares morreram na sequência do treino do 127.º Curso de Comandos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal, que decorreu no dia 04 de setembro, e vários outros receberam assistência hospitalar.

Para além da investigação criminal, o Exército instaurou dois processos disciplinares por indícios de "prática de infração disciplinar".

Decorre igualmente uma inspeção técnica extraordinária que incide sobre os referenciais do curso e o processo de seleção.

Até estar concluída essa inspeção, está suspensa a realização de mais cursos.

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