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Eduardo Sá preocupado com crianças que vivem luto "em diferido"

Psicólogo discursou nas jornadas de pediatria "Um Olhar Diferente".
26 de Junho de 2014 às 14:38

O psicólogo e psicanalista Eduardo Sá defendeu, esta quinta-feira, que quanto mais tarde uma criança começar a manifestar o sofrimento devido à morte de um familiar, mais tendência há de se tornar "explosivo".

"Preocupa-me que um trabalho de luto se dê em diferido", afirmou Eduardo Sá em Viseu, durante as jornadas de pediatria "Um Olhar Diferente".

Segundo o psicólogo, quando morre o avô o que as crianças querem saber é "se era tão indispensável e precioso para nós, porque é que se foi embora, porque é que nem sequer teve a decência de se despedir e porque é que o fechamos numa caixinha, o pomos debaixo da terra e o deixamos abandonado de noite, à chuva e ao frio".

Admitindo não ter uma "fórmula" para ajudar os pais e os profissionais de saúde a lidar com estas situações, Eduardo Sá considerou "ternurenta" a justificação de que "o avô foi para um lugar muito melhor", o que, à escala de uma criança, representa "um sítio onde não se tem de acordar todos os dias às 08h00 para ir para a escola e que, em princípio, tem praias menos povoadas do que o Algarve".

"O que não é muito compreensível para as crianças é que se temos internet, e o céu deve ser muito mais evoluído, porque é que o avô ou a avó quando chegam lá não enviam uma mensagem a dizer 'cheguei' e não comunicam mais vezes", acrescentou.

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