Emídio Rangel, ex-director de Informação e Programas da SIC, está a ser ouvido na Comissão de Ética Parlamentar, tendo começado por ler um comunicado por si escrito em que dispara em todas as direcções, nomeadamente lançando críticas a José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes, José Manuel Fernandes, Nuno Morais Sarmento, Arons de Carvalho e Paulo Portas.
Rangel classificou as audições de alguns jornalistas na Comissão de Ética como um 'cortejo lacrimante', afirmando que Portugal viu uma 'boa parte do jornalismo que nos envergonhamos'.
Na sua declaração lançou duras críticas a Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz, acusando-o de 'violar regras e leis'. 'Uma peste de mau jornalismo introduzida em Portugal por Paulo Portas com o ‘Independente''.
Emídio Rangel disse ainda que o agora líder do CDS 'trucidou a irmã de Lucas Pires' e comandou uma 'campanha contra Leonor Beleza, publicando os exames ginecológicos da antiga ministra da Saúde [NOTA: Na realidade quem publicou estes exames foi o também já desaparecido 'Diário Popular']'.
'Esta escola parecia ter acabado mas foi retomada nos nossos dias com o mesmo sentido de irresponsabilidade', continuou, alertando que se nada for feito os deputados presentes na Comissão Parlamentar de Ética não irão 'fugir à regra do jornalismo indigno'.
'Não me esqueço do atrevimento insensato e estúpido de José Eduardo Moniz, quando ele estava na RTP, onde praticava uma informação tendenciosa e desavergonhada. Lembro-me muito bem de fazer um tempo de antena, logo a seguir a uma comunicação ao País do Presidente da República Mário Soares, contrariando o que tinha acabado de ser dito pelo PR. Quem se arroga a este direito, violando leis enormes, pode continuar a dirigir a informação da RTP. É a total degradação dos princípios deontológicos', recordou Rangel.
Sobre Morais Sarmento disse que o ex-ministro foi quem o 'saneou da RTP' e que mais tarde o sondou 'para saber se estava disposto para integrar uma central de informação' que o Governo pretendia criar.
Rangel acusou ainda o antigo director do ‘Público' de ter publicado, 'sem qualquer prova, um recado de um assessor do Presidente da República falando de espionagem', acrescentando que esta publicação foi feita numa altura que José Manuel Fernandes achou conveniente.
Sobre o 'Sol', o ex-director da SIC referiu que o 'único feito foi apropriar-se de escutas e publicá-las sem ouvir as outras partes'.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO É A QUESTÃO
Relativamente a um alegado plano para controlar a Comunicação Social, Rangel acredita que em Portugal “não se coloca a questão da liberdade de expresão”.
'Estamos num país onde se pode dar opinião. Agora se há um plano para controlar a Informação? O que ouvi falar não tinha pés nem cabeça. Comprar a TVI, o 'Correio da Manhã', o 'Público'... Enfim, dominar toda a Comunicação Social é um cenário que não se coloca”.
Rangel disse ainda ter contado o que se passou a José Miguel Júdice, que lhe disse que “ia falar com o Morais Sarmento”.
”Depois tomamos um café juntos, às 15h00, na casa do José Miguel Júdice (dois dias depois da conversa com o Almerindo). Fiquei a falar com Morais Sarmento, que foi muito simpático. Disse-lhe que tinha um contrato assinado por cinco anos. Ele disse: 'OK, mas não temos dinheiro para isso. Só temos 90 mil contos.' Eu estava no meu primeiro ano na RTP, achei que não valia a pena continuar naquela guerra e acabei por aceitar”, revela ainda.
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