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Empresário compra Torá com 400 anos

Documento judaico foi descoberto na Covilhã.
Lusa 29 de Setembro de 2016 às 16:05
A torá encontrada é considerada muito rara
A torá encontrada é considerada muito rara FOTO: Getty Images

Um empresário da Covilhã disse esta quinta-feira à agência Lusa que comprou a Torá (documento judaico) com mais de 400 anos, cuja descoberta foi recentemente divulgada pela autarquia local.

"Fizemos ontem [na quarta-feira] a escritura no cartório", afirmou em declarações à Lusa o empresário José Correia, que é proprietário de um conhecido restaurante na cidade.

A Câmara da Covilhã anunciou a 14 de setembro que tinha sido descoberta naquela cidade uma Torá com mais de 400 anos, em muito bom estado de conservação.

"Estamos a falar de um documento muito, muito raro, podemos mesmo dizer que é uma joia da cultura portuguesa e da história sefardita mundial e portanto entendemos que é da maior importância darmos a conhecer esse documento", disse, naquela data, o presidente da Câmara Municipal, Vítor Pereira.

O autarca explicou que este documento foi encontrado há cerca de 10 anos, durante a demolição de um edifício no centro da cidade, mas, na altura, o empreiteiro não terá tido consciência da importância do achado, limitando-se a guardá-lo.

Ao tomarem conhecimento deste episódio, os técnicos do departamento da Cultural da Câmara foram analisar o achado, tendo encontrado um pergaminho com 30 metros de comprimento e 60 centímetros de altura, provavelmente escrito com tinta ferrogálica e com suporte de apoio em rolos de madeira'.

Uma peça única, que está em muito bom estado de conservação e cuja autenticidade foi confirmada por Javier Castaño, professor e investigador no departamento de Estudos Judaicos do Instituto de Línguas e Culturas do Mediterrâneo e Oriente Próximo.

Hoje, em declarações à Lusa, José Correia explicou que adquiriu o referido documento por ser apreciador de antiguidades.

"Eu sou fã de tudo o que é antigo e tenho várias coisas antigas", afirmou, adiantando que este é o primeiro documento judaico que compra.

José Correia rejeitou revelar o valor da transação e relativamente ao que pretende fazer com este valioso documento limitou-se a explicar que o seu objetivo é de que esta Torá permaneça na Covilhã.

Na altura em que a descoberta foi divulgada, o município covilhanense especificou que tinha realizado um protocolo com o empreiteiro no sentido de que fosse a autarquia a guardar e a conservar a Torá, cuja posse continuaria a ser de quem o encontrou.

A agência Lusa tentou hoje contactar o presidente da Câmara, Vítor Pereira, para obter uma reação a esta informação, mas até ao momento os contactos foram infrutíferos.

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