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Correio da Manhã

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Empresas de energia defendem instauração de mercado de carbono

Mercado de carbono é a forma mais efetiva de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.
1 de Junho de 2015 às 20:43
BP é uma das empresas de petróleo que propôs a instauração de um mercado do carbono
BP é uma das empresas de petróleo que propôs a instauração de um mercado do carbono FOTO: Pedro Catarino
Seis das principais empresas de petróleo e gás propuseram esta segunda-feira que os governos instaurassem um mercado do carbono, por considerarem que é a forma mais efetiva de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

"Acreditamos firmemente que estabelecer um preço para o carbono vai desencorajar as preferências pelo carbono e reduzir a incerteza, o que vai ajudar a estimular os investimentos corretos nas tecnologias de baixo carbono e [a aplicação dos] recursos corretos no ritmo correto", afirmaram os presidentes executivos de BG Group, BP, Eni, Royal Dutch Shell, Statoil e Total, numa carta conjunta.

O apelo destes gestores ocorre quando a França procura reanimar as conversações que pretendem alcançar um acordo sobre o clima, a consagrar na cimeira marcada para o final do ano na capital francesa.

Na missiva, dirigida aos dirigentes da Convenção Quadro da Organização as Nações Unidas para as Alterações Climáticas e à Conferência de Paris, os dirigentes destas empresas de energia reconheceram que a tendência atual das emissões de gases com efeito de estufa excede o objetivo de limitar o aquecimento global a dois graus Celsius, em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial, para salvar a Terra de estragos potencialmente catastróficos.

Os gestores garantiram que estavam dispostos a fazer a sua parte, mas que os governos têm de fornecer um enquadramento claro, estável e de longo prazo, para uma resposta às altyerações climáticas.

"Estipular um preço para o carbono aumenta o custo da nossa produção e dos nossos produtos", escreveram, acrescentando porém que isso vai estabelecer um mesmo nível de atuação para todas as fontes de energia, nas várias geografias, e um papel claro na garantia de um futuro mais sustentável.

Alguns países já introduziram mercados de carbono, em que as empresas pagam pelas suas emissões de dióxido de carbono.

O sistema na Europa tem sido visto como uma falha, depois de o preço do carbono ter caído de forma acentuada, por terem sido concedidos demasiados créditos de forma gratuita.

O dirigente da Total, Patrick Pouyanne, afirmou, em conferência de imprensa, que deveria ser instituído um preço de 40 dólares (36,6 euros) por tonelada de carbono, para se conseguir substituir as centrais elétricas alimentadas a carvão, que produzem o dobro do dióxido de carbono produzido pelas centrais a gás natural. O preço atual é de cerca de 7,5 dólares

Já para justificar o investimento em sistemas de captura e sequestro de carbono (CCS, na sigla em inglês), o preço de referência deveria situar-se entre os 80 e os 100 dólares. Os sistemas CCS pretendem capturar a maior parte das emissões de dióxido de carbono produzidas pelo uso de combustíveis fósseis na geração de eletricidade e nos processos industriais.
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