Discursos deverão incluir críticas ao presidente americano, que não vai ver cerimónia.
A presidente da Academy Awards disse à Sky News que apoia as estrelas de cinema que queiram fazer declarações políticas na cerimónia dos Óscares, que vai decorrer este domingo em Los Angeles, madrugada desta segunda-feira em Lisboa.
A maior noite para Hollywood deverá ser dominada pelo espetro da controversa presidência de Donald Trump.
As estrelas de cinema têm vindo a usar os eventos antes dos Óscares para prometer resistência à agenda do Presidente dos Estados Unidos.
E a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, disse à Sky News que não condena as estrelas que usem a plataforma dos Óscares para fazer as suas declarações políticas. "Uma das coisas pela qual estamos todos felizes é que temos liberdade de expressão", disse.
"Isso torna-o muito humano (...) porque ninguém sabe o nome que vai ser lido no envelope vermelho, por isso é muito espontâneo", acrescentou.
Cheryl Boone Isaacs declarou ainda esperar que os que vão subir esta noite ao palco ofereçam "45 segundos de algo verdadeiramente significativo e tocante".
A atriz Meryl Streep marcou o tom dos eventos de entrega de prémios deste ano ao condenar a atuação de Trump na cerimónia dos Golden Globes.
Donald Trump respondeu dizendo que ela estava sobrevalorizada.
Uma agência de talentos de Hollywood cancelou a sua tradicional festa pré-Óscares, promovendo em vez disso um evento a favor da unidade ('unity rally') para angariar fundos para a American Civil Liberties Union.
Celebridades como Jodie Foster surgiram em palco, frente a uma multidão de cerca de 1.200 pessoas em Beverly Hills.
Mas alguns nomeados para os Óscares acreditam que é errado as estrelas do cinema fazerem declarações políticas.
O britânico-norte-americano Andrew Garfield, nomeado para melhor ator pelo papel em "Hacksaw Ridge", disse que "infelizmente a cultura das celebridades chegou ao ponto em que a sua voz é mais significativa do que a de outras pessoas em alguns aspetos".
"Isso é uma vergonha e não devia ser o caso. Não sou grande fã de um estado cultural em que todos estamos incluídos", disse.
Os Óscares já testemunharam protestos políticos antes. Em 1973, Marlon Brando boicotou o seu prémio no filme "O Padrinho" por causa do tratamento dado por Hollywood aos americanos nativos.
O realizador Michael Moore foi vaiado em palco em 2003 por criticar o então Presidente George W Bush.
O debate sobre a política e Donald Trump substituiu a controvérsia sobre a diversidade nos Óscares, a qual vinha a dominar as discussões nos últimos anos.
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