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Correio da Manhã

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Europa comunitária pouco solidária

Alguns dos mais ricos países membros da União Europeia são miseráveis na ajuda às nações mais pobres do Mundo. Num relatório divulgado esta segunda-feira, as organizações não-governamentais Action Aid, Eurodad e Oxfam denunciam que apenas 4 dos 21 países comunitários cumprem um compromisso firmado há 3 décadas sobre o nível de ajuda externa.
14 de Fevereiro de 2005 às 15:40
O relatório aponta culpas directas à Alemanha e à Itália por pouco fazerem para alcançar o objectivo estabelecido pela ONU de reduzir a pobreza em África para metade até 2015. Numa recente reunião do G7, em Londres, o Reino Unido quis reforçar essa campanha de ajuda, mas os EUA bloquearam os planos britânicos com a ajuda dos alemães e dos italianos.
Apenas quatro dos vinte e cinco países da União Europeia cumpriram a promessa feita em 1970 pelos países mais ricos do Mundo de alocar em ajuda externa 0,7% dos respectivos produtos internos brutos. "Os outros 21 Estados da União Europeia ainda estão longe da sua promessa... isso não tem desculpa", refere o relatório, exemplificando: "A Itália é um dos países mais ricos do Mundo, no entanto dá apenas uns miseráveis 0,17% do seu PIB em ajuda" externa.
O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, é particularmente visado por ter prometido, no último Fórum Económico Mundial em Davos, que a Alemanha atingiria os 0,7% do seu PIB em ajuda externa "a médio prazo". Os relatores do documento fizeram as contas e contrapõem: "De acordo com os padrões actuais, a Alemanha não atingirá os 0,7% antes de 2087".
O campeão da ajuda externa europeia é a Dinamarca (0,84% do seu PIB), seguida da Holanda (0,81%), do pequeno Luxemburgo (0,8%) e da Suécia (0,7%).
Ministros dos países membros da UE reúnem-se amanhã (terça-feira) no Luxemburgo, para debater os objectivos traçados pela ONU para combater a pobreza em África. O relatório surge com esta oportunidade e aconselha: "A UE deve desenvolver acção positiva em três matérias: aumentar a quantidade e a qualidade da ajuda internacional; aliviar o fardo da dívida insustentável; tornar mais justas as regras do comércio mundial".
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