Ex-primeiro-ministro guineense exortou "o povo e as forças políticas" a assumir responsabilidades e "fazer frente a Sissoco Embaló",
O ex-primeiro-ministro guineense Nuno Gomes Nabiam alertou esta quinta-feira que a partir do dia 28 de fevereiro de 2025 Umaro Sissoco Embaló deixará de ser Presidente do país e exortou-o a marcar eleições presidenciais ainda este ano.
Nabiam deu esta quinta-feira uma longa conferência de imprensa em que abordou vários assuntos da vida política do país, com ênfase sobre a sua coabitação enquanto primeiro-ministro, durante pouco mais de três anos, com Sissoco Embaló.
"O Presidente tem de marcar as eleições presidenciais em 2024. Se isso não acontecer, à meia-noite e um minuto do dia 28 [de fevereiro de 2025], deixa de ser Presidente da Guiné-Bissau", afirmou Nabiam.
O ex-primeiro-ministro guineense exortou "o povo e as forças políticas" a assumir responsabilidades e "fazer frente a Sissoco Embaló", que, disse, sairá da Presidência do país "não por força de armas, mas pela força do povo".
Antes de viajar para uma visita oficial à China, na segunda-feira, Embaló prometeu que, assim que regressar ao país, vai convocar os partidos políticos para os consultar sobre a marcação de eleições legislativas antecipadas para 24 de novembro próximo.
O ex-primeiro-ministro guineense instou os líderes políticos que se encontram no estrangeiro a regressarem ao país.
Nabiam adiantou que é pela concertação de "todas as forças políticas" para uma "frente ampla para enfrentar Sissoco Embaló", que acusou de estar a "armar-se com soldados e armas", sem o controlo do Governo e do Estado-Maior General das Forças Armadas.
"Qualquer dia o Presidente manda prender os líderes políticos que lhe fazem frente. Ou até manda matar-nos", observou o ex-primeiro-ministro e líder da Assembleia do Povo Unido -- Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB).
O dirigente político voltou a acusar o atual poder no país de "patrocinar o negócio de droga" e desafiou a Polícia Judiciária a concluir as investigações sobre "aviões que descarregam droga" no país, nos últimos tempos.
Nabiam disse ter na sua posse documentos sobre alegadas práticas de corrupção por parte do chefe de Estado guineense a quem questionou a proveniência de dinheiro para realizar mais de 300 viagens ao estrangeiro.
"O Presidente não é Deus. É um ser humano normal como qualquer um de nós, pode ser investigado pela Polícia Judiciária", observou o ex-primeiro-ministro guineense.
Nuno Nabiam afirmou que não se pode deixar que a Guiné-Bissau se transforme num narcoestado, mas lamenta que "figuras do Estado estejam em negócios de droga".
"O Presidente, como é quem controla todas as instituições, deve saber o que se passa com o negócio da droga" no país, referiu.
Nuno Nabiam, na qualidade de primeiro vice-presidente do Parlamento, deu posse a Sissoco Embaló como Presidente, numa cerimónia que decorreu num hotel da capital guineense, em 28 de fevereiro de 2020.
Segundo o regimento da Assembleia Nacional, a posse do Presidente da República é conferida numa sessão plenária convocada pelo presidente do parlamento.
O Presidente guineense disse, em declarações aos jornalistas em fevereiro passado, que as eleições presidenciais deverão realizar-se em novembro de 2025.
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