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Joaquín Almunia defende urgência da união monetária

Ex-vice-presidente da Comissão Europeia diz que união "está incompleta".
Lusa 14 de Dezembro de 2015 às 16:38
Joaquín Almunia, ex-vice-presidente da Comissão Europeia
Joaquín Almunia, ex-vice-presidente da Comissão Europeia FOTO: EPA

O ex-vice-presidente da Comissão Europeia afirmou esta segunda-feira que as medidas de política monetária do BCE têm contribuído para a estabilidade de preços na zona euro, mas defendeu a urgência da conclusão da união monetária, que "está incompleta".

"O balanço [da implementação da moeda única] é positivo, mas não estou muito otimista acerca dos resultados, uma vez que alguns não foram alcançados. A União Económica e Monetária não está completa, não temos união bancária. Temos regras de disciplina fiscal, mas não temos uma união fiscal", disse Joaquín Almunia, em Lisboa.

O ex-vice-presidente da Comissão Europeia, que esta segunda-feira participou num almoço palestra sobre 'Como colher os benefícios do Euro', promovido pelo Centro de Estudos Europeus do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, classificou de positiva a intervenção do Banco Central Europeu (BCE) na estabilidade de preços na zona euro, mas salientou que não pode ser o banco central a "fazer tudo sozinho".

"A intervenção do BCE foi necessária porque estávamos a correr um sério risco de deflação. A deflação é ainda mais difícil de ser controlada que a inflação e o objetivo do BCE é proporcionar a estabilidade dos preços", afirmou o responsável, acrescentando que cabe aos governos e às instituições financeiras encontrarem mecanismos que permitam a consolidação orçamental de cada Estado membro, que vão para além da intervenção do banco central.

Instrumentos de política orçamental
Reforçou, a propósito, que "a política monetário é necessária, mas a questão é que a política monetária é o único instrumento para reduzir inflação e, por isso, o BCE está a usar bem esses instrumentos, mas não pode trabalhar sozinho".

"Há necessidade de instrumentos de política orçamental que passem pela consolidação das contas públicas e esta matéria tem de ser discutida", defendeu o ex-vice-presidente da Comissão.

Com uma inflação baixa e uma recuperação tímida na zona euro, o BCE decidiu na quinta-feira passada cortar a sua taxa de depósitos (que ficou em -0,30%) e prolongar por pelo menos seis meses o programa alargado de compra de ativos lançado em março passado com uma duração inicialmente prevista até setembro de 2016. Agora, esse programa vai estar em vigor até março de 2017.

O objetivo do banco central passa por retomar a trajetória de uma inflação próxima de 2%.

Almunia insistiu na urgência de os Estados-membros discutirem a implementação "sólida" de uma união monetária, uma vez que este tema foi amplamente debatido quando estalou a crise financeira, em 2008, mas agora parece estar afastado da agenda europeia.

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