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Família de Anne Frank pode ter sido descoberta por acaso

Estudo sugere que clandestinos poderão não ter sido denunciados.
17 de Dezembro de 2016 às 12:57
Anne Frank
Anne Frank FOTO: EPA
A adolescente judia Anne Frank e a família poderão ter sido descobertos "por acaso" no seu apartamento secreto em Amsterdão e não na sequência de uma delação, como se pensava, informou o museu Anne Frank na última noite.

Um novo estudo sugere que os polícias que fizeram uma inspeção na casa onde se escondia a adolescente investigavam de facto suspeitas de fraude com senhas de racionamento e de emprego ilegal, indicou o museu num comunicado.

"A questão foi sempre: 'Quem denunciou Anne Frank e os outros clandestinos?', mas concentrar-se numa delação limita as perspetivas sobre a detenção", indicou o museu, que se situa no edifício onde Anne Frank viveu escondida do regime Nazi durante dois anos.

A adolescente e a família entraram na clandestinidade em julho de 1942 no apartamento secreto da empresa familiar, a que chamaram "o anexo", para escapar aos nazis.

A família ficou ali escondida durante dois anos, até agosto de 1944, quando foi descoberta e deportada.

Nenhum estudo determinou até hoje quem poderia ter denunciado a família Frank e os que se escondiam com ela no Anexo.

Foi naquele apartamento que a adolescente escreveu o seu diário, uma das obras mais lidas no mundo, que já vendeu mais de 30 milhões de exemplares e da qual há traduções em 67 línguas.

Baseando-se em passagens do diário, de março de 1944, e em novos documentos, o investigador Gertjan Broek concluiu "que se passavam mais coisas no 263 Prinsengracht do que apenas pessoas escondidas no Anexo secreto".

Funcionários de outra empresa, sediada no mesmo edifício, tinham sido detidos alguns meses mais cedo por tráfico de senhas de racionamento, o que teria levado à operação de busca na qual os clandestinos seriam descobertos "simplesmente por acaso".

"Este novo estudo não refuta a possibilidade de os clandestinos terem sido denunciados, mas demonstra que outros cenários devem ser igualmente examinados", afirmou o diretor executivo do museu, Ronald Leopold, citado no comunicado.

"Esperemos que outros investigadores vejam o interesse de seguir estes novos indícios", acrescentou.

A adolescente morreu de tifo no início de 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen, alguns dias após a sua irmã.

O pai, Otto, foi o único sobrevivente do Anexo.
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