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Correio da Manhã

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Força Aérea entra na dança da chuva

Um avião Hércules C-130 da Força Aérea Portuguesa (FAP) espalhou dois compostos químicos nas regiões de Coimbra, Castelo Branco e Évora, ao princípio da tarde desta quarta-feira, com o objectivo de fazer chover. A iniciativa resulta de uma colaboração com o Instituto de Estudos Ambientais e de Meteorologia da Universidade Lusófona.
23 de Fevereiro de 2005 às 13:54
De acordo com explicações fornecidas pelo major Paulo Gonçalves, da FAP, as partículas de Lodeto de Prata e Cloreto de Potássio são agregadoras de humidade, pelo que vão ficando cada vez mais pesadas, até formarem gotas de água que caem pela força da gravidade. O efeito, ressalvou o oficial aviador, não é imediato e até pode não ocorrer.
A FAP garantiu, em comunicado, que as partículas libertadas na atmosfera não são nocivas para a saúde humana e para os solos. Os ambientalistas confirmaram esta garantia, indicando que tal se deve ao facto de a experiência ser de escala reduzida. Eugénio Sequeira, da Liga para a Protecção da Natureza, recordou que os norte-americanos já fizeram experiências semelhantes e explicou que os químicos não fazem chover, apenas ajudam à condensação da humidade, pelo que afirmou estar pouco convicto da eficácia do projecto.
Independentemente desta iniciativa, o Instituto de Meteorologia prevê para esta quarta-feira aguaceiros fracos na Região Norte e períodos de chuva e aguaceiros nas regiões Centro e Alto Alentejo. O passado mês de Janeiro foi o mais seco dos últimos 100 anos em Portugal, pelo que mereceu a classificação de "seca extrema".
Agricultores e produtores agropecuários têm vindo a alertar o governo para a necessidade de ser declarado o estado de calamidade, sobretudo no Baixo Alentejo, devido à seca. O governo recusou fazê-lo, optando por distribuir ajudas financeiras no valor de 25 milhões de euros.
Mas o verdadeiro problema está a prazo. As colheitas que 'morrem' só vão fazer falta mais tarde. O mesmo se passa com a carne. E, talvez mais grave, a falta de chuva fez baixar os níveis das albufeiras para níveis preocupantes. Nalguns casos, como a Albufeira do Roxo, perto de Beja, admite-se já que vão ser necessários ajustamentos nos sistemas de tratamento de águas, dada a pior qualidade da água captada em caudais pouco profundos. E isso, certamente, irá reflectir-se mais tarde no preço da água...
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