Líder da extrema-direita francesa saudou o "resultado histórico e maciço" do seu partido.
Le Pen quer transformar o seu partido numa 'nova força política'
A candidata da extrema-direita nas eleições presidenciais francesas, Marine Le Pen, propôs este domingo uma "transformação" do seu partido, a Frente Nacional, para "constituir uma nova força política", no seu discurso de aceitação da derrota.
Le Pen quer transformar o seu partido numa "nova força política"
Esta posição foi assumida nas curtas palavras que Marine Le Pen dirigiu aos seus apoiantes, em Paris, poucos minutos depois de serem conhecidas as primeiras projeções, que atribuem uma vitória ao centrista Emmanuel Macron na segunda volta das eleições presidenciais francesas.
A líder da extrema-direita francesa saudou o "resultado histórico e maciço" do seu partido.
A Frente Nacional, sublinhou, é "a primeira força da oposição", declarou Le Pen, que prometeu liderar o combate nas eleições legislativas francesas, marcadas para 11 e 18 de junho, e em que pretende recolher o apoio de "todos aqueles que querem optar pela preferência francesa".
Depois da primeira volta das presidenciais, realizada há duas semanas, a Frente Nacional fechou uma aliança com o soberanista Nicolas Dupont-Aignan, a primeira deste partido.
O centrista Emmanuel Macron foi eleito Presidente de França com um intervalo entre 65,5 a 66,1% dos votos, segundo as primeiras projeções divulgadas após o fecho das urnas, enquanto Marine Le Pen terá obtido uma votação entre 33,9% e 34,5%, portanto menos 30 pontos qe o seu rival.
Na sua declaração, a líder da Frente Nacional agradeceu o apoio dos "11 milhões de eleitores patriotas" que votaram na sua candidatura.
A candidata argumentou que estas presidenciais mostraram "uma decomposição da vida política francesa", marcadas pelo "desaparecimento dos partidos tradicionais", numa alusão aos socialistas e ao centro-direita, aglutinado nos republicanos.
Para Marine Le Pen, aqueles que apoiaram Macron entre as duas voltas "desacreditaram-se sozinhos", pelo que, defendeu, só um novo movimento pode enfrentar o novo chefe de Estado francês.
Nas legislativas, a candidata assegurou que voltará a colocar o dilema entre "mundialistas e patriotas" e mostrou-se "preocupada" com as perspetivas que se abrem com o mandato do novo Presidente.
Em 2012, Marine Le Pen ficou em terceiro lugar na primeira volta das eleições presidenciais, com uma votação de 17,9%, conquistando 6,4 milhões de votos.
As projeções foram avançadas pelos institutos de estudos de mercados Ifop e Harris Interactive, citados pela agência France-Presse, cerca das 20:00 em França (menos uma hora em Lisboa).
Segundo uma estimativa da empresa de sondagens Ipsos-Sopra Steria para vários órgãos franceses, a abstenção ter-se-á situado nos 25,3%, a maior taxa numa segunda volta em eleições presidenciais desde 1969.
A participação terá sido assim de 75,7%, menos três pontos percentuais que na primeira volta, a 23 de abril, em que 77,77% dos eleitores franceses foram às urnas. É também a primeira vez desde 1969 que a participação na segunda volta é inferior à da primeira.
Estes dados apontam para uma vantagem de 30 pontos de Macron sobre a sua rival.
Os resultados de Macron são melhores do que as sondagens tinham indicado nas duas semanas entre a primeira e a segunda voltas.
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