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Godinho discutia nomeações na Refer com quadros

O empresário das sucatas Manuel Godinho, principal arguido no processo 'Face Oculta', discutia nomeações para o conselho de administração da Refer com quadros da empresa pública responsável pela gestão da rede de infra-estruturas ferroviárias do país.
7 de Março de 2012 às 18:43
Questionado pelo procurador do Ministério Público sobre se teria recebido alguma prenda de Manuel Godinho (na foto) no Natal, João Silva admitiu que era provável
Questionado pelo procurador do Ministério Público sobre se teria recebido alguma prenda de Manuel Godinho (na foto) no Natal, João Silva admitiu que era provável FOTO: Manuel Vitoriano

Durante a 32.ª sessão do julgamento, que decorreu hoje no tribunal de Aveiro, foram ouvidas várias escutas de conversas telefónicas entre o sucateiro e os ex-quadros da Refer João Valente, José Valentim e Manuel Guiomar, co-arguidos no processo, sobre a sucessão de Fernando Silva, que, na altura, estaria de saída do conselho de administração da empresa.

Numa dessas conversas, João Valente, então director do Departamento de Logística da Refer, diz a Manuel Godinho que seria do interesse do empresário a substituição de Fernando Silva por alguém que tivesse "outra postura".

Nestas conversas é também falado o nome de João Silva, outro quadro da Refer que foi ouvido hoje de manhã no tribunal, enquanto testemunha de acusação.

O então director da área de aprovisionamento e logística, que mais tarde passou para a direcção de conservação, não soube explicar porque motivo o seu nome surgiu nestas conversas.

Questionado pelo procurador do Ministério Público sobre se teria recebido alguma prenda de Manuel Godinho no Natal, João Silva admitiu que era provável.

"Isso não é nenhuma tentativa de comprar alguém. Sempre encarei isso como normal", afirmou.

Da parte da tarde, o colectivo de juízes ouviu Mário Neto que trabalhou na Refer como responsável pela área da geotecnia e mais tarde foi director do eixo Beiras.

Este geólogo, actualmente na reforma, contou que aprovou a proposta com os preços apresentados pela SEF, de Manuel Godinho, relativamente aos trabalhos para a desobstrução da via e reforço de barreiras/taludes a realizar na linha do Douro, após as intempéries do ano 2000.

 


O procurador perguntou-lhe como é que apareceu um preço na factura diferente daquele que tinha sido aprovado, mas a testemunha não soube explicar.

Segundo a acusação, o preço unitário da mão-de-obra de "oficiais" constante da proposta daquela empresa cifrava-se em 16,31 euros por hora, mas o preço facturado foi de 26,84 euros.

O julgamento prossegue na quinta-feira. O colectivo de juízes vai voltar a ouvir o ex-braço direito de Manuel Godinho, Namércio Cunha, que pretende contestar o depoimento de Paulo Penedos, co-arguido no processo.

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