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Governo garante que nacionalização da Cabo Verde Airlines está "fora dos planos"

Companhia aérea está paralisada desde março, devido à pandemia de Covid-19.
Lusa 14 de Junho de 2020 às 17:40
Cabo Verde Airlines
Cabo Verde Airlines FOTO: Correio da Manhã
O vice-primeiro-ministro cabo-verdiano afirmou hoje que uma nacionalização da Cabo Verde Airlines (CVA) "está fora dos planos" do Governo, apesar de "todo o interesse em manter" a companhia aérea, paralisada desde março, devido à pandemia de covid-19.

Numa mensagem divulgada ao início da tarde de hoje, Olavo Correia, que é também ministro das Finanças, admitiu que o "cenário é severo tanto para a CVA como para qualquer companhia aérea", daí que o Estado, enquanto acionista da empresa (39%), "terá que trabalhar com o parceiro estratégico (Lofleidir Cabo Verde) para reposicioná-la para o cenário pós-pandemia".

"O Governo de Cabo Verde tem todo o interesse em manter a CVA. Entretanto, é preciso esclarecer-se que a nacionalização da empresa está fora dos planos do Executivo", garantiu.

As exportações garantidas pela CVA -- privatizada em março do ano passado com a venda de 51% do capital social a investidores islandeses liderados pela Icelandair - cresceram 37% em 2019, levando o negócio da companhia, a valer quase 8% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano.

Olavo Correia acrescentou que a empresa "terá que revisitar o plano de negócios", mas "sendo certo que o Governo também está a rever o conceito de 'hub'", que estava a ser instalado na ilha do Sal, para servir voos de África, Europa e América, "tendo em conta esta nova realidade".

"Há desafios que chegam acompanhados de oportunidades - Cabo Verde enquanto um país arquipelágico, diaspórico e turístico, precisa de uma companhia aérea que permita a sua ligação com o mundo", defendeu o vice-primeiro-ministro.

A CVA está totalmente parada desde 19 de março, quando o Governo cabo-verdiano suspendeu todos as ligações internacionais para conter a pandemia de covid-19, tendo desde então realizado apenas alguns voos de repatriamento.

A companhia anunciou, entretanto, a perspetiva de retomar as operações comerciais em 01 de julho, "sujeita às recomendações da OMS e possíveis restrições locais" nos destinos onde opera.

Olavo Correia garantiu que, mesmo com a companhia parada, quem "tem pago os salários aos trabalhadores é a empresa", mas que o Estado de Cabo Verde, enquanto acionista, "tem de ajudar a encontrar soluções para o financiamento" da empresa "enquanto os aviões estiveram parados e depois para financiar o plano de negócios que vier a ser aprovado para o período pós-pandemia".

Em março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da então empresa pública TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) por 1,3 milhões de euros à Loftleidir Cabo Verde, uma empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (que ficou com 36% da CVA) e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada). Outra parcela, de 10%, foi vendida em 2019 a trabalhadores e emigrantes cabo-verdianos.

A CVA transportou quase 345 mil passageiros no primeiro ano após a privatização de 51% da companhia, um aumento de 136% face ao período anterior, segundo dados da transportadora.

Questionada pela Lusa sobre o desempenho da companhia após a privatização, em 01 de março de 2019, a administração da CVA, liderada pelo grupo Icelandair, refere que transportou, até 28 de fevereiro de 2020, um total de 344.639 passageiros, face aos 145.629 transportados de março de 2018 a fevereiro de 2019, pela então TACV, detida totalmente pelo Estado.

PVJ // JH

Lusa/Fim

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