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Governo rejeita greve geral

Em dia de greve geral, responsáveis sindicais e ministros esgrimam argumentos. Da parte do Governo, Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Segurança Social, afirma que Portugal está “a viver com tranquilidade” a greve “parcial” desta quarta-feira. E Teixeira dos Santos, ministro de Estado e das Finanças, desvaloriza o impacto da greve, considerando que os efeitos são parciais e sectoriais. Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, responde: as opiniões do Governo sobre greves “são sempre opiniões parcelares”.
30 de Maio de 2007 às 12:05
Em Bruxelas, à entrada para um reunião do Conselho de Ministros dos 27, Vieira da Silva considera “o que se está a passar em Portugal é uma greve parcial, com efeitos limitados”, pois “a maior parte das actividades económicas estão a funcionar muito próximo da situação normal”. Relativamente ao não cumprimento dos serviços mínimos por parte do Metropolitano de Lisboa e da Transtejo, o ministro sublinhou que estes são “definidos por comissões independentes, com representantes dos parceiros sociais”, sem indicar qual será a acção do Governo nestes dois casos.
Teixeira dos Santos concorda com o colega de Governo ao considerar que “esta não é uma greve geral, está a ter algum impacto parcial nalguns sectores”, e acrescentou que “as greves gerais paralisam os países mas o país não está paralisado”. Em declarações aos jornalistas no Parlamento, o tutelar da pasta das Finanças considera que os portugueses têm consciência de que as medidas exigentes tomadas pelo Governo são necessárias para colocar o país numa rota de crescimento.
Por seu turno, Carvalho da Silva manifestou-se convicto de que a greve geral convocada pela CGTP vai ter um “grande efeito na vida política e na das pessoas”. Sem querer avançar com dados globais, o secretário-geral do sindicato vai adiantando que há uma “grande adesão”.
A AutoEuropa foi o terceiro local visitado esta manhã pela delegação da CGTP, depois do Hospital Garcia da Orta e dos estaleiros da Lisnave. Nesta fábrica, estima-se que os números da greve rondem os 15 a 20 por cento no turno da manhã. Os Serviços Municipalizados de Transportes Colectivos do Barreiro serão o próximo local a receber a visita da delegação sindical.
PCP GARANTE QUE GREVE AFECTA EMPRESAS PRIVADAS
Jerónimo de Sousa afirmou esta quarta-feira que a adesão à greve geral não envolve apenas a administração pública, mas também as empresas privadas e exorta o Governo a responder às reinvindações dos trabalhadores.
“Com esta greve o Governo deveria ponderar a política social que está a realizar contra os direitos dos trabalhadores, particularmente com esta ameaça da flexisegurança que é uma má solução”, afirmou o secretário-geral do PCP, durante uma visita à fábrica Sociedade Central de Cervejas da Vialonga.
A escolha não foi ao acaso. Jerónimo de Sousa pretendia mostrar que a greve se estendeu às empresas privadas. “É o espelho do que se passa no sector privado, onde os trabalhadores efectivos aderem à greve e os trabalhadores precários, sujeitos ao trabalho temporário, naturalmente se fizerem greve podem perder o emprego devido às ameaças e à repressão”, afirmou.
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