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Governo são-tomense quer proibir entradas no país devido a coronavírus mas OMS desaconselha

De acordo com Anne Ancia, fechar a fronteira pode não ser a solução ideal para travar a propagação da doença.
Lusa 4 de Março de 2020 às 22:08
Máscara coronavírus
Coronavírus
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As autoridades de São Tomé e Príncipe preparam-se para proibir entrada de cidadãos de países afetados pelo novo coronavírus, anunciou esta quarta-feira o ministro da Saúde, apesar de a Organização Mundial de Saúde (OMS) desaconselhar esta medida.

"Neste momento a OMS não recomenda ao país que feche a fronteira ou pare o movimento de bens e das pessoas", disse aos jornalistas a representante da organização em São Tomé, Anne Ancia, no final de uma reunião conjunta com os ministros da Saúde, Edgar Neves, e dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Elsa Pinto.

De acordo com Anne Ancia, fechar a fronteira pode não ser a solução ideal para travar a propagação da doença.

"Há países que fecharam as fronteiras", diz a representante da OMS, defendendo, que "fechar a fronteira de forma temporária com as zonas afetadas destina-se a dar um tempo para aumentar o seu nível de preparação, mas sabe-se muito bem que fechar as fronteiras não vai parar a transmissão da doença", defendeu a representante da OMS.

Anne Ancia considerou que "há outras medidas muito mais importantes, como aumentar a vigilância, preparar a infraestrutura de saúde para receber e isolar as pessoas infetadas que são muito mais efetivas para limitar a transmissão da doença".

Por seu lado, o ministro da Saúde são-tomense sublinhou que uma interdição à entrada no país de cidadãos de países afetados pelo Covid-19 poderá ser anunciada em breve num comunicado do Conselho de Ministros.

Edgar Neves considerou que "o cenário epidemiológico vai mudar a qualquer momento" no seu país, garantindo que foi redobrada a vigilância, bem como o sistema de controlo nos portos e aeroportos do país.

"A decisão sairá num comunicado do Conselho de Ministros, há um período para que as pessoas se organizem. Isto não é automático, não é de hoje para amanhã, porque envolve também responsabilidade dos transportadores, ou seja, das companhias aéreas que devem ter um tempo para se organizarem", disse o governante.

Entre os países-alvos, figuram a China, Coreia do Sul, Irão, Itália, Nigéria, Argélia e Senegal que o executivo são-tomense considera que "pode ser alterada a qualquer momento".

Portugal, onde já há seis casos resgistados e que é a principal porta de entrada e saída para a Europa, não consta da lista de uma eventual restrição do executivo são-tomense por causa do coronavírus.

"O facto de haver casos confirmados tem uma ligação com a capacidade do controlo do próprio país", defendeu o governante, que falava no final de um encontro com os representantes diplomáticos acreditados no país e organizações internacionais sobre as medidas do Governo são-tomense destinadas a prevenir o Covid-19.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou cerca de 3.200 mortos e infetou mais de 94 mil pessoas em 78 países, incluindo cinco em Portugal.

Das pessoas infetadas, cerca de 50 mil recuperaram.

Além de 2.983 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para "muito elevado".

MYB // JH

Lusa/fim

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