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Guterres defendeu que mundo precisa de liderança e valores

Ex-Primeiro-ministro falou no debate entre candidatos a secretário-geral da ONU.
Lusa 13 de Julho de 2016 às 00:09
António Guterres é candidat a secretário-geral da ONU
António Guterres é candidat a secretário-geral da ONU FOTO: Reuters

António Guterres defendeu esta quarta-feira na ONU, em Nova Iorque, durante o primeiro debate entre candidatos a secretário-geral, que o mundo "precisa urgentemente" de "liderança e valores".

Guterres disse que "com a mudança climática e o aumento da população, o mundo está a ficar mais pequeno e os recursos mais escassos" e que é preciso enfrentar esses desafios, disse o candidato.

Na sua declaração inicial no debate, Guterres disse que o próximo secretário-geral da ONU tem de ser "sólido" um "símbolo de unidade" e que "precisa saber combater, e derrotar, o populismo político, o racismo e a xenofobia."

"E esses são valores que defendi toda a minha vida", concluiu.

Em resposta à primeira ronda de perguntas, que se centraram no tipo de liderança que os candidatos pretendem ter, Guterres teve os dois primeiros aplausos espontâneos da noite.

O primeiro foi quando elogiou o atual secretário-geral, Ban Ki-moon, ao dizer que não o pretendia criticar e que o sul-coreano tinha feito "um trabalho fantástico" ao longo dos seus mandatos.

"Precisamos traduzir as muitas iniciativas que temos e atividades que desenvolvemos para uma linguagem que as pessoas de todo o mundo percebam", disse ainda, em resposta a uma pergunta sobre como vai comunicar o trabalho da ONU.

"Mas uma liderança não é apenas uma questão de comunicação. É sobre substância", acrescentou.

Guterres promete paridade de género nas nomeações na ONU
António Guterres garantiu ainda que se for eleito irá existir paridade entre géneros nas nomeações da organização.

"Vamos ter objetivos, metas e avaliações permanentes para assegurar que tudo está a ser cumprido", disse o candidato português.

A resposta do antigo primeiro-ministro aconteceu durante uma ronda sobre a possibilidade de a próxima secretária-geral da ONU ser uma mulher.

Vesna Pusic, da Cróacia, disse que "durante 70 anos a organização foi governada por pessoas que representam apenas cinquenta por cento da experiência humana" e que "está na hora de isso mudar."

Na sua última declaração no debate, António Guterres escolheu lembrar os seus mandatos como alto-comissário para os refugiados e os motivos porque concorre agora a secretário-geral.

"Senti a frustração de ver as pessoas a sofrer e saber que não tinha uma solução para elas. Foi por isso que entendi ser minha obrigação candidatar-me a secretário-geral da ONU", explicou.

Reforma do Conselho de Segurança
António Guterres disse também que apoia a reforma do Conselho de Segurança da organização.

"Diria o mesmo que disse Kofi Annan: nenhuma reforma da ONU está completa sem uma reforma do Conselho de Segurança", disse o candidato português.

Guterres concordou com os outros participantes, afirmando que o Conselho de Segurança tem problemas de representatividade da comunidade internacional, por não ter, por exemplo membros permanentes oriundos da América Latina ou África.

"Mas isto só será possível se os países membros assim o quiserem e se criarem o consenso necessário para que essa reforma aconteça", disse Guterres, explicando que o secretário-geral tem áreas que não são da sua competência.

"Irei apoiar, mas de nenhuma forma irei substituir os países membros neste assunto, assim como em muitos outros,", explicou o candidato.

Numa ronda de perguntas sobre prevenção de conflitos, o português disse que "há mais atenção para a manutenção de paz porque as câmaras estão lá" e que todos sabem "o que está a acontecer" e que isso não acontece quando um conflito está nas fases iniciais.

Para Guterres, "tem de haver um continuo, com as mesmas prioridades e as mesmas estratégias," durante todas as fases em que a organização lida com conflitos, o que não acontece neste momento.

O candidato lembrou que a questão não é, no entanto, fácil e "existe um debate na comunidade internacional porque muitos acreditam que existe o risco de interferir na soberania internacional".

"E é aqui que o secretário-geral pode intervir, de forma humilde, para criar pontes entre os vários participantes, e fazer entender que existe uma forma da prevenção de conflitos ter resultados e reduzir o sofrimento humano".

Na sua declaração inicial no debate com 10 dos 12 candidatos, o português disse que o próximo secretário-geral da ONU tem de ser "sólido" um "símbolo de unidade" e que "precisa saber combater, e derrotar, o populismo político, o racismo e a xenofobia."

"E esses são valores que tive toda a minha vida", concluiu.

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