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Homem que matou padrinho vê pena agravada para 18 anos

Jovem matou o padrinho com 27 facadas em outubro de 2012.
26 de Fevereiro de 2014 às 19:00
Pedro PEixoto foi condenado a 15 anos de prisão por ter matado o seu padrinho, Gaspar Roby
Pedro PEixoto foi condenado a 15 anos de prisão por ter matado o seu padrinho, Gaspar Roby FOTO: Eduardo Martins

O Tribunal da Relação de Guimarães agravou de 15 para 18 anos de prisão a pena de um jovem que matou o padrinho com 27 facadas, em outubro de 2012, em Braga, informou a Procuradoria-Geral Distrital do Porto.

Em nota publicada no seu site, a Procuradoria refere que o Tribunal da Relação de Guimarães considerou que o tribunal de primeira instância "valorizara excessivamente as exíguas circunstâncias que depunham a favor" do arguido, "por contraponto com tudo o mais que fora apurado".

Essa circunstância, ainda segundo a Relação, levou o Tribunal de Braga a aplicar uma pena "demasiado próxima do limite mínimo abstrato".

O arguido foi condenado por homicídio qualificado, um crime cuja moldura penal vai de 12 a 25 anos.

A vítima do crime, Gaspar Roby, de 69 anos, era um aristocrata de Braga. O arguido foi "adotado" por Gaspar Roby, que o criou "como um filho" desde os 2 anos. Durante o julgamento, o arguido confessou que na origem do crime esteve uma "violenta discussão" por causa de 80 euros.

Segundo o arguido, o padrinho atravessava grandes dificuldades financeiras e ter-lhe-á exigido, no dia do crime, que lhe desse, para ajuda nas despesas da casa, os 80 euros que ele teria acabado de receber, como pagamento de uns "biscates".

A questão terá gerado uma "discussão violenta" entre padrinho e afilhado, acabando em homicídio. Nos últimos anos, o arguido "metera-se" no álcool e na droga, onde gastava o pouco dinheiro que ia ganhando.

No Tribunal de Braga, foi condenado a 15 anos de prisão, mas o Ministério Público recorreu, pedindo uma pena mais pesada.

O coletivo de juízes de Braga sublinhou que o arguido agiu com especial perversidade e censurabilidade, nomeadamente pela forma reiterada como desferiu as facadas, atingindo zonas vitais da vítima.

O facto de a vítima ser o próprio padrinho, que o criou "como um filho" desde que nasceu, foi outro fator que pesou contra o arguido.

O tribunal destacou ainda a débil compleição física da vítima, que lhe retirou qualquer hipótese de defesa.

Além disso, valorou também o "meio insidioso" usado pelo arguido, uma faca de cozinha com uma lâmina de oito centímetros.

A favor do arguido, os juízes apontaram a sua juventude (21 anos) e o facto de ter sido ele mesmo, no dia dos factos, quem ligou para a polícia e para o INEM a pedir socorro para o padrinho.

O arguido foi ainda condenado a pagar 15 mil euros à mulher da vítima, por danos não patrimoniais, sendo que a indemnização pelos danos patrimoniais será fixada pelos tribunais cíveis.

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