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Correio da Manhã

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Idoso morre à lareira

Um homem foi encontrado morto no dia de Natal, pela mulher, que deu com ele tombado num braseiro sobre a lareira da sala de casa, em Arressiadas, Abrantes. António Sotero Ferreira, de 69 anos, caiu sobre as brasas, numa lareira do tipo fumeiro, tendo sido descoberto com queimaduras em 70 por cento do corpo e já sem sinais vitais.
27 de Dezembro de 2006 às 00:00
“Estaria de pé e terá tido uma quebra de tensão ou um problema cardíaco”, contou ontem um neto, Edgar Aparício, frisando que o avô “já tinha sofrido um princípio de AVC” e “mancava de uma perna”.
A mulher de António Ferreira saiu para ir a casa de familiares, deixou o marido sozinho por “uns cinco minutos” e no regresso, às 18h00, encontrou-o morto. “Foi um Natal muito infeliz. Não estávamos nada à espera disto”, disse Edgar Aparício. “Fomos completamente apanhados de surpresa”.
De acordo com o neto, a vítima “terá batido com a cabeça” antes de cair “de joelhos e com a cara directamente nas brasas”. A equipa do INEM que foi ao local já nada pôde fazer, tendo o cadáver sido removido para a morgue do Hospital de Abrantes pelos bombeiros. O funeral realizou-se ontem. António Ferreira foi trabalhador rural e estava reformado por invalidez.
DOIS MIL QUEIMADOS
Este é o segundo acidente grave nesta quadra festiva, depois de um homem, de 79 anos, ter morrido na véspera de Natal, em Vale Toriz, Odemira, durante um incêndio numa habitação causado por uma vela ou braseira. Intoxicações por monóxido de carbono têm sido também frequentes (ver caixa) e na noite de consoada, em Sobrosa, Mortágua, 18 familiares, que ceavam numa adega, precisaram de receber tratamento médico.
Braseiras, lareiras, aquecedores ou cobertores eléctricos oferecem perigos e há cuidados que é indispensável ter, sobretudo durante o Inverno, quando o recurso a fontes de aquecimento é maior.
Um estudo pioneiro divulgado no passado mês de Maio revelou que dois mil casos de queimaduras graves chegam por ano às urgências dos hospitais portugueses. Segundo este relatório, elaborado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o Norte (37 por cento) é a região mais afectada e os adultos do sexo masculino (49 por cento) são as vítimas mais frequentes.
NINGUÉM DEVE ESTAR SOZINHO AO LUME
No Inverno, sobretudo quando se registam vagas de frio, é preciso ter cuidados particulares com lareiras, braseiras e aquecedores a gás.
Em lugares fechados sem renovação de ar, a combustão pode originar a produção de monóxido de carbono – um gás mortal – assim como queimaduras, choques eléctricos e incêndios domésticos. Os produtos de combustão, em especial o monóxido de carbono, têm de ser bem eliminados e as fontes do fogo não podem ser deixadas sozinhas.
As entradas de ar têm de estar desobstruídas. Materiais ou mobílias que possam pegar fogo não são aconselhados próximo dos aquecimentos e, para evitar queimaduras por contacto, de crianças e animais domésticos, aconselha-se a colocação de barreiras. As crianças, os idosos e pessoas doentes não devem ficar sozinhas, para que possam ser socorridas de imediato.
Face a uma queimadura é preciso diminuir a temperatura no local queimado, impedindo que alastre e evitar o risco de intoxicação, assegurando uma boa ventilação ao acidentado. Se houver um foco de fogo, caso não tenha um extintor à mão, deve abafá-lo com um cobertor. O vestuário deve ser despido, mas o que ficou preso à pele só deve ser retirado no hospital. Aplicar água fria ajuda a diminuir a temperatura e impede a continuação da acção do calor.
CASAL E FILHO INTOXICADOS POR BRASEIRA
Um casal e o filho de sete anos, residentes em Alvaiázere, no distrito de Leiria, precisaram de receber tratamento médico devido a uma intoxicação por monóxido de carbono provocada por uma braseira. Quando os bombeiros chegaram à residência da família, anteontem pelas 23h00, a mulher já estava desmaiada.
O marido e o filho, ainda conscientes, apresentavam sonolência. O casal havia retirado a braseira para o exterior da casa, a meio da noite, mas manteve as janelas fechadas, o que facilitou a concentração do monóxido de carbono libertado pela combustão das brasas.
As três vítimas foram transportadas ao Hospital de Avelar, receberam oxigénio e já tiveram alta. Noutro caso, ocorrido na noite de Natal, em Vale da Pinta, concelho do Cartaxo, ficaram intoxicados uma jovem e um bebé de três anos. Os bombeiros foram alertados às 22h00 por um familiar, depois de a jovem se ter sentido mal e desmaiado. A causa, mais uma vez, foi uma braseira usada numa divisão sem ventilação.
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