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Industriais de panificação defendem fabrico artesanal como "oportunidade de futuro"

Presidente da Associação defendeu que é necessário "unir esforços".
Lusa 4 de Abril de 2018 às 10:52
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O presidente da Associação dos Industriais de Panificação, Pastelaria e Similares do Norte (AIPAN) defendeu esta quarta-feira, na Maia, que o fabrico artesanal e tradicional de pão é "uma oportunidade" para o setor voltar "a ter futuro".

"Com as alterações climáticas a condicionar cada vez mais a atividade agrícola, a diminuição acentuada das áreas de cultivo de cereais em Portugal, o crescente aumento das importações por parte das empresas moageiras e, principalmente, a entrada das principais marcas da moderna distribuição alimentar no negócio da panificação, o fabrico artesanal e tradicional é uma oportunidade para voltarmos a ter futuro", afirmou António Fontes.

O presidente da AIPAN falava na abertura do Congresso Internacional da Panificação Tradicional Portuguesa, a decorrer esta quarta-feira no Fórum da Maia.

"As padarias de proximidade estão aí, de novo. Com uma oferta variada, uma execução artesanal ou industrial que respeitam a natureza e a saúde do consumidor, vieram recentrar a importância do pão numa alimentação saudável e elevar a gourmet o produto fabricado ao gosto português", sustentou.

O presidente da Associação dos Industriais de Panificação defendeu que é necessário "unir esforços em torno do desenho e operacionalização de uma estratégia que reforce os nossos atributos coletivos, enalteça a qualidade e a confiança do pão fabricado ao gosto português, dê valor à tradição e promova a inovação".

"Só assim, como acontece na restauração, poderemos continuar a criar emprego e a conseguir suster os impactos negativos de uma concorrência que parece apostada em destruir valor em vez de acrescentar qualquer coisa de positivo a quem está cá há muito", considerou.

Trata-se de "uma concorrência que, com o passar dos anos, está a contribuir para adulterar o gosto e a dieta dos portugueses com produtos feitos à base de farinhas aditivadas, algumas delas de questionável proveniência, e com recurso a massas congeladas feitas numa máquina que é programada como um qualquer robô de cozinha -- como se o pão de qualidade e as soluções de conveniência do tipo faça você mesmo fossem compatíveis", frisou.

Apesar disso, acrescenta António Fontes, "em 2016 a indústria portuguesa de panificação teve vendas superiores a 585 milhões de euros, o que representou um ligeiro acréscimo de 0,8% relativamente ao ano anterior -- ainda assim muito abaixo do que globalmente vendeu o conjunto das nossas indústrias alimentares, cuja subida atingiu os 2,8%".

Segundo o dirigente da AIPAN, estima-se que estejam a funcionar neste momento em Portugal 10.260 unidades industriais onde se amassa, fermenta e coze pão diariamente ou quase diariamente. Nelas trabalham cerca de 120 mil pessoas, o que releva o contributo da nossa indústria no emprego.

Ao longo do dia, estão em discussão, entre outros, temas como "O setor da panificação na economia e na sociedade portuguesas", "O pão como base da alimentação", "A importância do processo tradicional na saúde" e "A visão do Governo", pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

O congresso encerra com uma intervenção do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo.
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