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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Inspetor da PJ acusado de corrupção conhece sentença

Mais de 30 arguidos acusados de fraude fiscal conhecem hoje acórdão no Seixal.

20 de setembro de 2016 às 08:39

O inspetor da Polícia Judiciária João Sousa e outros 33 arguidos, incluindo quatro empresas, acusados de associação criminosa e de uma fraude fiscal de 6,6 milhões de euros em negócios de ouro, conhecem esta terça-feira o acórdão do Tribunal de Almada.

Detido preventivamente desde 2014, João Sousa privou na prisão de Évora com José Sócrates e teceu duras críticas ao comportamento do antigo primeiro-ministro na prisão. Na semana passada, o inspetor - acusado de estar envolvido numa rede que comprava ouro e o vendia oara o estrangeiro à margem do fisco - prometeu que desfilaria nu pela rua se fosse inocentado.

O processo foi distribuído à Instância Central Criminal de Almada, mas, por questões de logística, o julgamento, que teve início em janeiro deste ano, decorreu nas instalações do Tribunal do Seixal.

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu a condenação dos principais arguidos, onde se incluem um inspetor da PJ e um antigo presidente da Associação de Comerciantes de Ourivesaria e Relojoaria do Sul, pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção e branqueamento de capitais.

De acordo com a acusação proferida pelo Ministério Público, oito dos arguidos, em data não determinada, "decidiram constituir um grupo destinado à aquisição, em larga escala, de objetos em ouro no mercado nacional que posteriormente seriam fundidos, transformados em barras e vendidos no mercado internacional".

O despacho de acusação referia, também, que o grupo adquiria peças em ouro através de lojas próprias e de fornecedores espalhados pela zona da Grande Lisboa e Alentejo, sem proceder à respetiva declaração fiscal e à comunicação, obrigatória, à Polícia Judiciária.

O Ministério Público defendia, ainda, que os objetos recolhidos pelo grupo eram depois fundidos e transformados em barras de ouro, que eram vendidas na Bélgica.

Os dados recolhidos durante a investigação efetuada pela Polícia Judiciária de Setúbal, que demorou cerca de um ano e só foi concluída em março de 2015, permitiu apurar que a organização terá vendido mais 1.600 quilogramas de barras de ouro na Bélgica, o que representa mais de 61,9 milhões de euros, pelo que o valor da fraude fiscal está calculado em 6,6 milhões de euros.

A leitura do acórdão começou na manhã desta terça-feira no Tribunal do Seixal e deverá estar concluída durante a tarde.

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