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IRAQUE INVADE PARLAMENTO PORTUGUÊS

O debate mensal com o Governo na Assembleia da República está a ser dominado esta manhã pela crise iraquiana e pela assinatura colocada pelo primeiro-ministro Durão Barroso num manifesto de apoio dado por oito líderes europeus à estratégia bélica do presidente norte-americano, George W. Bush.
31 de Janeiro de 2003 às 11:52
Acompanhado por todos os membros do Governo, Durão Barroso apresentou-se na Assembleia da República sabendo de antemão que iria ser intercalado pelos deputados sobre a questão iraquiana. O primeiro-ministro abriu o debate, garantindo que não é militarista, mas que “não há neutralidade possível entre tirania e a democracia”.

Durão Barroso explicou que o líder iraquiano Saddam Hussein representa uma ameaça à paz mundial e defendeu a tese de que “há situações e momentos em que falsas neutralidades se transformam em perigosas cumplicidades”.

O líder socialista foi o primeiro deputado a interpelar o primeiro-ministro. Ferro Rodrigues acusou Durão Barroso de, com a assinatura colocada no manifesto dos oito líderes, “deu um contributo para estilhaçar a União Europeia no ponto em que é mais frágil: na política externa”. Durão Barroso respondeu em tom inflamado, declarando que “compete ao Governo conduzir a política externa” e lançando um repto à bancada socialista: “Não pretendam mudar a prática constitucional em Portugal!”

O debate conheceu o seu ponto mais quente durante a intervenção do líder comunista, Carlos Carvalhas, que acusou o primeiro-ministro de “subserviência” a Washington e disse que não tinha orgulho no chefe de Governo de Portugal. Durão retorquiu, desafiando Carvalhas a esclarecer se mesmo com uma resolução específica da ONU continuaria a ser contra a guerra ao Iraque, lançando algumas insinuações sobre a postura comunista durante a crise nos Balcãs.

Os deputados comunistas bateram com as mãos na bancada, levando o presidente da Assembleia, Mota Amaral, a pedir que não o fizessem porque “prejudica o sistema de áudio”. Carvalhas tomou a palavra e largou a mais forte tirada da manhã, dirigindo-se a Durão Barroso: “Um maoista reconvertido é sempre um social-democrata pouco polido”... uma frase que, certamente, será para recordar.

Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda, foi o senhor que se seguiu na interpelação ao primeiro-ministro e começou da forma mais dura, acusando Durão Barroso de hipocrisia.
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