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Julgamento de homem acusado de dois homicídios começou hoje em Alvaiázere

Arguido incorre na pena máxima de prisão.

25 de junho de 2014 às 14:33

Um homem acusado dos homicídios qualificados da ex-companheira e do homem com quem a mulher passou a viver, ocorridos em setembro, em Alvaiázere, começou hoje a ser julgado no tribunal local.

Ao coletivo de juízes, presidido por Maria João Velez, o arguido, que incorre na pena máxima de prisão, 25 anos, explicou que pegou na arma com o objetivo de pôr termo à sua vida.

"Andava traumatizado, tinha sabido o resultado de um exame que dizia que tinha um tumor maligno. Ia ficar sozinho e, ao ver-me sozinho, pensei suicidar-me", disse o homem, detido preventivamente.

Segundo o Ministério Público (MP), a ex-companheira - que expressava queixas relativas ao arguido - saiu de casa, em Maçãs de Dona Maria, a 6 de setembro de 2013.

A partir dessa data, aquela ia apenas à habitação do arguido com intenção de retirar os bens pessoais, mas este recusava, pelo que foi ao escritório de uma advogada para se aconselhar.

Na tarde do dia 16, arguido e vítimas reuniram-se no escritório da advogada. Pelas 18h00, já na casa do arguido, começaram a mudança dos bens, o que ocorreu sem problemas.

Contudo, quando a mulher, ao retirar documentos de vários créditos bancários que contraiu, informou que o arguido teria de pagar metade, o homem ficou irritado, pelo que resolveu matar as vítimas, relata o MP.

Ao Tribunal Judicial de Alvaiázere, o arguido assegurou que apenas uma vez impediu o acesso da ex-companheira à casa e negou ter pensado matar as vítimas, mas admitiu ter ficado irritado por lhe terem comunicado que teria de pagar os créditos.

"Na minha casa estava a ser gozado, roubado e ameaçado [porque tinha de pagar metade dos créditos]", adiantou.

Referindo que o seu "cérebro não estava a funcionar, nem a arma conseguia manejar", o homem explicou que olhou pela janela de casa, viu várias pessoas no exterior e disparou, justificando não estar em si.

À pergunta se os disparos seriam para as duas vítimas, admitiu que um "seria" para o homem.

"O segundo disparo não sabia [que tinha atingido a ex-companheira]. Estava na escuridão", garantiu, desconhecendo o número de disparos que efetuou e adiantando não se recordar se disparou sobre as pessoas quando já estavam caídas no chão.

Hoje de manhã, o tribunal ouviu ainda três testemunhas.

Para o MP, o detido decidiu matar a ex-companheira por ter saído de casa sem dar explicações e se recusar a falar com ele, mas também porque estava cansado dos gastos da mulher, que considerava demasiados e em artigos supérfluos.

O MP acrescenta que o suspeito resolveu também tirar a vida ao homem por presumir que este deu dinheiro à ex-companheira para pagar a advogada, além de que desconfiava de que ambos mantiveram uma relação amorosa durante o tempo em que viveu a mulher, além de não se conformar com a separação.

O julgamento prossegue à tarde.

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