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Correio da Manhã

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Linho e T-shirts da China sob escrutínio

A Comissão Europeia já seleccionou duas categorias de importações têxteis chinesas - t-shirts e produtos em linho - sobre as quais exige contenção comercial à China. Negociações formais de urgência vão ser convocadas e, se não houver acordo, a União Europeia poderá repor quotas aos referidos produtos ainda este ano.
17 de Maio de 2005 às 11:03
De acordo com um comunicado divulgado esta terça-feira pela Comissão Europeia, o comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson, vai propor ainda hoje o início de um processo formal de negociações de urgência com as autoridades chinesas, salientando que essas conversações devem começar "imediatamente".
O regime de quotas que durante décadas controlou as importações têxteis chinesas para a União Europeia terminou a 1 de Janeiro (foi a data escolhida para abolir todas as quotas no comércio mundial de têxteis). Desde aí, as exportações chinesas para os países comunitários tem vindo a aumentar a ritmo alucinante.
Depois de aderir à Organização Mundial do Comércio, em 2001, a China autorizou os outros países membros (como os da UE) a restringir importações chinesas quando o volume das mesmas se tornar nocivo aos respectivos mercados. Ao abrigo deste acordo, os membros da OMC podem limitar o aumento das importações chinesas a mais 7,5% do que no ano anterior.
No passado dia 29, a Comissão Europeia abriu uma investigação às importações de nove categorias de produtos têxteis chineses, que nos casos das calças para homem e 'pullovers' aumentaram 400% nos primeiros três meses do ano.
A investigação deveria prolongar-se por 60 dias (caso não fosse adoptado o procedimento de urgência já pedido por alguns países membros) e poderá conduzir ao levantamento de barreiras às importações chinesas três meses depois. A urgência pedida parece ter sido aceite pela Comissão Europeia, que já seleccionou de entre as nove categorias de produtos em análise, as duas - t-shirts e vestuário em fio de linho - para as quais exige contenção comercial imediata por parte de Pequim.
Nos primeiros três meses do ano, as exportações chinesas de t-shirts e vestuário em linho aumentaram 187% e 56%, respectivamente. Parece não serem os casos de maior crescimento, mas a Comissão Europeia entende que são casos onde está comprovada a consequente "deterioração dramática de produção, de rentabilidade e de emprego na indústria comunitária destas duas categorias" de produtos têxteis. Assim, se não houver acordo com Pequim, Bruxelas vai levantar barreiras até ao final do ano às importações chinesas destes dois tipos de produtos têxteis.
Recorde-se que os Estados Unidos da América debateram-se com o mesmo problema, mas reagiram mais rápido. Na passada sexta-feira, o secretário norte-americano (ministro) do Comércio, Carlos Gutierrez, anunciou que vai solicitar expressamente aos chineses contenção nas exportações de calças, camisas e roupa interior, sob pena de serem levantadas barreiras comerciais.
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