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Londres rejeita decisão da ONU sobre Assange

Nações Unidas consideraram arbitrária a detenção.
Lusa 5 de Fevereiro de 2016 às 09:33
Julian Assange, fundador do WikiLeaks
Julian Assange, fundador do WikiLeaks FOTO: Reuters

O Governo britânico "rejeita categoricamente" a decisão do grupo de trabalho da ONU que classificou de "detenção arbitrária" o confinamento do fundador do WikiLeaks Julian Assange ao espaço da embaixada do Equador em Londres, disse esta sexta-feira um porta-voz.

"Isso [decisão do grupo de trabalho da ONU] não muda nada. Nós rejeitamos categoricamente a afirmação de que Julian Assange é vítima de uma detenção arbitrária", indicou um porta-voz do executivo britânico, em comunicado.

O Reino Unido já comunicou às Nações Unidas que irá contestar formalmente a decisão do grupo de trabalho, acrescentou o mesmo porta-voz.

O grupo de trabalho da ONU sobre detenção arbitrária determinou na quinta-feira que a reclusão do fundador do WikiLeaks Julian Assange na embaixada do Equador em Londres representa uma detenção ilegal, segundo anunciou a diplomacia sueca.

"Apenas podemos constatar que o grupo de trabalho chegou a uma conclusão diferente da das autoridades judiciárias suecas", declarou uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros sueco à agência France Presse, um dia antes do previsto para o painel das Nações Unidas divulgar o seu relatório.

Recluso na embaixada desde 2012
Assange, 44 anos, encontra-se recluso na embaixada do Equador desde 2012, quando esse país lhe concedeu asilo, após um longo processo legal no Reino Unido, que terminou com a decisão da sua entrega às autoridades da Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais.

O fundador do portal WikiLeaks disse na quinta-feira esperar ser tratado como um homem livre se o grupo de trabalho das Nações Unidas decidisse em seu favor.

Assange prometeu também entregar-se à polícia britânica se o painel da ONU concluísse que não tinha sido arbitrariamente detido.

O australiano apresentou em setembro de 2014 uma queixa àquele painel da ONU contra a Suécia e o Reino Unido, alegando que a sua reclusão na embaixada representava uma detenção ilegal.

"Caso eu leve a melhor e se conclua que os Estados atuaram ilegalmente, eu espero a devolução imediata do meu passaporte e o fim de eventuais futuras tentativas para me prenderem", disse Assange em comunicado.

As decisões do painel da ONU não são juridicamente vinculativas, mas terão influenciado a libertação de personalidades como a birmanesa Aung San Suu Kyi e o jornalista do Washington Post Jason Rezaian.

O advogado sueco de Assange, Per Samuelsson, disse à AFP que uma decisão a favor do seu cliente teria de levar a procuradora Marianne Ny a pedir a um tribunal para levantar o mandado de detenção emitido contra o fundador do WikiLeaks.

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