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Luandino Vieira recebe Prémio Camões

O Prémio Camões 2006, no valor de cem mil euros, foi atribuído esta sexta-feira em Lisboa ao escritor angolano José Luandino Vieira.
19 de Maio de 2006 às 13:24
José Vieira Mateus da Graça, conhecido por Luandino Vieira, nasceu em Vila Nova de Ourém a 4 de Maio de 1935. Com apenas três anos, foi viver com os pais para Angola. O nome de Luandino foi escolhido em homenagem a Luanda, tendo-se tornado cidadão angolano pela sua participado no movimento de libertação nacional e contribuído para o nascimento da República Popular de Angola.
A infância, a juventude e os estudos primários e secundários foram passados em Luanda, após o que desempenhou várias profissões. Acusado de ligações políticos com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), foi preso pela PIDE em 1959 e 1961, tendo sido condenado a 14 anos de prisão.
Em 1964, foi transferido para o campo de concentração do Tarrafal, onde esteve preso oito anos, acabando por ser libertado em 1972, com regime de residência vigiada em Lisboa. Foi então que iniciou a publicação da sua obra, muita da qual foi escrita nas várias prisões por onde passou.
Entre os prémios literários com que foi contemplado, destacam-se o Grande Prémio de Noveslística da Sociedade Portuguesa de Escritores (1965), o Prémio Sociedade Cultural de Angola (1961) e da Associação de Naturais de Angola (1963).
Fazem parte da sua vasta obra, os livros: "Nosso Musseque", "A Vida Verdadeira de Domingos Xavier", "Nós, os do Makulusu", "João Vêncio: Os Seus Amores", "Luuanda", "No Antigamente, na Vida", "Macandumba", "Velhas Estórias", "A Cidade e a Infância", "Vidas Novas" e "Lourentinho, Dona Antónia de Sousa Neto & Eu".
No próximo mês de Novembro, a Editorial Caminho, que tem editado as suas obras, vai lançar um novo livro de Luandino Vieira, "O Livro dos Dias", o primeiro volume de uma trilogia intitulada "De Rios Velhos e Guerrilheiros".
Desde a criação do Prémio Camões, há 18 anos, apenas dois escritores africanos tinham recebido o mais importante galardão literário da língua portuguesa: o moçambicano José Craveirinha, em 1991, e o angolano Pepetela (Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos), em 1997.
O júri foi constituído por Agustina Bessa-Luís (Portugal), Francisco Noa (Moçambique), Ivan Junqueira (Brasil), Paula Morão (Portugal), José Eduardo Água Lusa (Angola) e Evanildo Bechara (Brasil).
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