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Luxemburgo confirma referendo

Com a União Europeia mergulhada numa profunda crise política, devido a um Tratado Constitucional 'ferido de morte' e a um Orçamento incapaz de gerar consenso; o Luxemburgo, país que actualmente ocupa a presidência rotativa da comunidade, deu um sinal contrário à frustração acumulada nos últimos dias.
20 de Junho de 2005 às 12:13
Numa sessão de comissão parlamentar, o representante pontual do governo, Nicolas Schmit, declarou que o executivo está de acordo para a realização de um referendo ao Tratado Constitucional Europeu no Luxemburgo no próximo dia 10 de Julho. Todos os partidos com assento parlamentar concordam, pelo que a consulta será realizada contra a maré de hesitação que parece 'afogar' a Europa comunitária.
Na semana passada, o Conselho Europeu (cimeira de líderes europeus) decidiu instaurar um período de reflexão de cerca de um ano sobre o Tratado Constitucional Europeu. Muitos esperavam uma declaração de óbito mas, ainda assim, não deixou de espantar como o mais importante projecto político da UE (essencial para a gestão de uma comunidade maior) sucumbisse aos 'chumbos' dos referendos realizados em França e na Holanda e ao adiamento 'sine die' do referendo no Reino Unido.
Os líderes europeus optaram pela 'fuga para a frente'. Espera-se um ano e depois logo se vê. Até porque tinham pela frente uma discussão bem mais difícil. Os líderes português e dinamarquês anunciaram prontamente o adiamento dos referendos nos respectivos países. Em Portugal, a consulta estava agendada para coincidir com as eleições autárquicas de Outubro próximo.
Resolvida assim a questão, os líderes europeus abordaram o complicado problema da aprovação do orçamento para 2007-2012. Os seis países que contribuem não queriam aumentar a despesa, apesar de a UE ser agora muito maior. Londres quis manter o direito ao reembolso de parte da sua contribuição anual. A França não quis mexer na Política Agrícola Comum, a que mais pesa no orçamento comunitário e da qual beneficiam em muito os produtores franceses.
Sem acordo, os ditos países pobres dispuseram-se a receber menos, mas nem assim os ricos chegaram a um acordo. No final da reunião, o presidente do Conselho Europeu, Jean-Claude Junker, declarou sentir vergonha pelo que tinha assistido. Junker é, precisamente, primeiro-ministro do Luxemburgo e é também considerado como um dos políticos com maior experiência comunitária, por muitos apontados como o tal 'presidente da Europa' a que o Tratado Constitucional dará nascimento.
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