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Maioria dos portugueses com demência também têm Alzheimer

Doença de Alzheimer atinge 50 a 70 por cento das pessoas com demência.
19 de Setembro de 2016 às 14:26
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Alzheimer, Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Europa, Dia Mundial da Doença de Alzheimer, Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes, Portugal, saúde, doenças FOTO: Alexandre M. Silva
Cinquenta a setenta por cento dos portugueses com demência sofrem de Alzheimer, disse à agência Lusa a responsável pela consulta de demência do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

"O número de portugueses [cerca de 160 mil] com demência é uma estimativa adaptada às características da nossa população, com base em estudos efetuados para os países da Europa do sul", precisou a médica Isabel Santana.

A neurologista coordena a exposição científica sobre aquela patologia que é inaugurada na quarta-feira em Coimbra, no Museu Machado de Castro, intitulada "Desenhar o tempo", que se insere nas comemorações do Dia Mundial da Doença de Alzheimer.

A mostra, que vai estar patente até 31 de outubro, retrata a forma como "se desenha o tempo na demência" e pretende, segundo Isabel Santana, "apenas sensibilizar as pessoas para a doença e nada mais".

Trata-se de uma experiência cognitiva e gráfica que permite compreender o funcionamento do cérebro humano e conhecer as suas fragilidades, de forma a sensibilizar para a importância do diagnóstico precoce da demência e da doença de Alzheimer.

"Esta exposição é dedicada ao Teste do Desenho do Relógio (TDR), um dos testes cognitivos mais populares tanto na deteção como no acompanhamento da evolução de doentes de Alzheimer", explica a neurologista do CHUC.

Os avanços alcançados no diagnóstico cada vez mais precoce têm sido acompanhados pela inovação em fármacos com potencial de prevenção, que podem retardar o aparecimento de sintomas e a progressão da doença.

A exposição "Desenhar o tempo" é promovida pelo Museu Machado de Castro em colaboração com a Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer.

Em comunicado, os organizadores explicam que a "representação do tempo através de um relógio envolve a ativação de várias regiões cerebrais e a colaboração de múltiplas funções cognitivas (visuais, abstração, conhecimento dos números, capacidades de organização e de execução...), que se vão perdendo progressivamente nas demências".

O teste do desenho do relógio é um instrumento neuropsicológico breve e ecológico que reflete a evolução da doença, mas que também tem sensibilidade para revelar os benefícios e reconquistas das novas estratégias de intervenção.

"A utilização desta prova na prática clínica implicou a realização de estudos na comunidade que permitiram definir objetivamente os padrões de normalidade de acordo com a idade e a escolaridade e caracterizar os erros mais frequentes nas diversas formas de demência", lê-se no documento.

Os promotores da exposição consideram que o envelhecimento ativo, baseado em programas que associam atividade física e estimulação cognitiva, é uma estratégia preventiva "com eficácia comprovada, que deve ser implementada na comunidade".

Segundo a neurologista Isabel Santana, a idade é o principal fator de risco da doença de Alzheimer, cuja prevalência em Portugal é semelhante à dos restantes países europeus.
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