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Correio da Manhã

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Mais de 42 milhões enfrentam risco de fome

Mais preocupante nas regiões leste e sul de África devido à seca.
Lusa 1 de Maio de 2016 às 09:11
No leste de África, o país mais afetado é a Etiópia, que enfrenta "a pior seca em 50 anos"
No leste de África, o país mais afetado é a Etiópia, que enfrenta 'a pior seca em 50 anos' FOTO: Siegfried Modola/Reuters

Mais de 42 milhões de pessoas enfrentam risco de fome nas regiões leste e sul de África devido à grave seca em consequência do fenómeno meteorológico El Niño e a crise alimentar deverá durar até 2017.

A falta de chuva é sentida desde 2014 e têm-se perdido várias colheitas, as reservas alimentares vão-se esgotando e o preço dos alimentos aumenta agravando a situação.

Segundo a Rede de Sistemas de Alerta Precoce contra a Fome, criada pela agência de desenvolvimento internacional norte-americana USAID, as chuvas abaixo da média deverão continuar na região e a crise alimentar poderá prolongar-se até ao próximo ano.

No leste de África, o país mais afetado é a Etiópia, que enfrenta "a pior seca em 50 anos", disse à Lusa Challiss McDonough, porta-voz do Programa Alimentar Mundial (PAM) para a África Oriental.

"Já existia uma seca antes do El Niño e ele agravou a situação. Morreu muito gado, perderam-se várias colheitas, por isso existem atualmente na Etiópia mais de 10 milhões de pessoas a precisarem de ajuda de emergência ao nível da alimentação para sobreviverem. As taxas de desnutrição aumentaram nitidamente no último trimestre (...) A situação é extremamente séria", referiu Challiss McDonough num contacto telefónico a partir de Lisboa.

Segundo a porta-voz do PAM, o governo da Somália "tem sido muito pró-ativo e tem liderado e organizado a resposta" à crise, mas "precisa de ajuda da comunidade internacional para dar resposta às necessidades básicas das pessoas e infelizmente a ajuda da comunidade internacional tem sido insuficiente".

O PAM está a trabalhar com o governo da Somália para apoiar 7,6 milhões de pessoas, dos 10 milhões que precisam de ajuda alimentar, sendo os restantes ajudados por um grupo de várias organizações não-governamentais, adiantou.

No Lesoto, um dos países mais afetados na região, 80% dos agricultores não esperam ter colheitas em maio/junho e mais de 500.000 pessoas correm risco de fome, segundo o PAM, que indica que a situação deverá piorar na segunda metade do ano até 2017.

Em relação ao Malaui, a agência da ONU revelou que o número dos que recorreram aos estabelecimentos de saúde devido a "desnutrição aguda moderada" quadruplicou desde janeiro. O PAM presta assistência a 2,4 milhões de pessoas em 24 dos 28 distritos do país.

Na Suazilândia, são 320.000 as pessoas que precisam de assistência alimentar urgente, enquanto no Zimbabué 2,8 milhões de pessoas - mais de um quarto da população rural - corre risco de fome e "o número deve aumentar exponencialmente nos próximos 12 meses".

Em Moçambique, foram contabilizadas 1,5 milhões de pessoas com insegurança alimentar aguda e a precisarem de ajuda humanitária nas províncias centrais (Zambézia, Manica, Sofala e Tete) e do sul (Gaza, Inhambane e Maputo).

O relatório do PAM indica ainda que são poucos os lares com reservas de cereais e que o preço dos alimentos de primeira necessidade nos mercados aumentou quase 100% em relação ao mesmo período do ano passado.

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