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Correio da Manhã

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Manhã mais calma em Timor

Pela primeira vez nos últimos dias, os habitantes da capital de Timor-Leste, Díli, acordaram esta segunda-feira sem ouvir o som dos tiros, não se registando confrontos, embora tenham ocorrido pilhagens a estabelecimentos comerciais em alguns bairros.
29 de Maio de 2006 às 09:02
Xanana voltou a apelar à reconciliação nacional
Xanana voltou a apelar à reconciliação nacional FOTO: Reuters
Entretanto, a situação política mantém-se ainda por definir. Após a recusa, ontem, do primeiro-ministro Mari Alkatiri em demitir-se do cargo, hoje, a reunião do Conselho de Estado terminou sem novidades, tendo sido adiada para amanhã uma outra reunião do Conselho Superior de Defesa e Segurança.
A reunião deste órgão de consulta do presidente Xanana Gusmão deveria ocorrer após o Conselho de Estado, que esteve reunido durante cerca de quatro horas. No final desta reunião, interrompida para almoço, o presidente timorense voltou a apelar à reconciliação nacional e pediu às centenas de manifestantes concentrados junto ao Palácio das Cinzas, que exigiam a demissão de Alkatiri, para se afastarem do local, o que não aconteceu.
Mantém-se prevista para hoje, em hora ainda a designar, uma comunicação de Xanana ao país, num momento em que a crise política-militar está a causar grande instabilidade e a ameaçar o desenvolvimento económico de Timor-Leste, um dos países mais pobres do Mundo, que recebeu hoje a visita do enviado especial da ONU, Ian Martin.
”PAÍS PODE TORNAR-SE NUM ESTADO FALHADO”
Também esta segunda-feira, o governo australiano anunciou que vai conceder uma ajuda adicional de mais dois milhões de dólares (cerca 1,6 milhões de euros) para ajudar a resolver a crise humanitária vivida em Timor-Leste, onde já escasseiam alimentos.
Segundo fez saber o ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Alexander Downer, o apoio, que engloba o envio imediato de alimentos, tendas e medicamentos, destina-se a ajudar os cerca de 50 mil timorenses que fugiram das suas casas em Díli e procuraram refúgio nas montanhas.
O responsável pela diplomacia australiana avisou que Timor-Leste pode tornar-se num “Estado falhado” se a situação não for estabilizada. “Se não tivéssemos enviado as tropas para ajudar a controlar a situação, Timor-Leste corria o risco de ser tornar num Estado falhado”, afirmou, sublinhando que “é preciso ajudar o país a conseguir voltar a levantar-se”.
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