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Correio da Manhã

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MARÇAL VOLTA HOJE AO TIC

O interrogatório de Hugo Marçal foi, ontem, mais uma vez suspenso, e deverá continuar hoje depois da hora de almoço. Na origem da interrupção terá estado o pedido das procuradoras da República encarregues do processo de mais tempo para analisar os muitos documentos apresentados pela defesa.
17 de Outubro de 2003 às 00:29
O advogado está a ser ouvido desde quarta-feira na sequência de uma decisão do Tribunal da Relação de Lisboa (TIC), que determinou que o arguido fosse imediatamente presente ao juiz de instrução criminal, Rui Teixeira.
A decisão da Relação surge após o acórdão do Tribunal Constitucional, de 25 de Setembro, em que se alega que os arguidos do processo Casa Pia deveriam ter acesso aos elementos “quando” e “onde” sobre os crimes de que são acusados – de forma a que as defesas pudessem preparar a contra-argumentação.
À saída do Tribunal de Instrução Criminal, João Nabais voltou a reafirmar que o seu cliente “é acusado por apenas uma testemunha” dos 72 crimes de abuso sexual de que é indiciado. Antes, na pausa para jantar, o advogado de Hugo Marçal, manifestava-se satisfeito com o decorrer do interrogatório que tinha recomeçado às três da tarde.
“As primeiras horas do interrogatótio correram muito bem, com muita cordialidade, tranquilidade e serenidade, procurando o dr. Hugo Marçal fazer o esclarecimento cabal, rigoroso e exaustivo de todas as questõe que foram colocadas pelo juiz Rui Teixeira”, afirmou João Nabais.
O defensor de Hugo Marçal disse ainda que o seu cliente havia já exposto e esclarecido todas as situações relativas aos factos que têm sido apresentadas pelo juiz Rui Teixeira durante os interrogatórios, dando a entender que o magistrado lhe terá fornecido mais elementos sobre os crimes de que é acusado Hugo Marçal.
Apesar disso, João Nabais recusou fazer quaisquer previsões sobre a decisão final do juiz de instrução, que, soube-se às 23h30, acabou adiada para hoje.
Hugo Marçal continua, assim, na condição de detido para interrogatório, pelo que foi transportado num carro celular até ao Estabelecimento Prisional de Lisboa, onde passou a noite. Hoje, ao início da tarde, voltará ao TIC para a terceira parte de um interrogatório que leva já mais de uma dezena de horas.
TESTEMUNHAS PODEM DESISTIR
O psiquiatra Álvaro de Carvalho revelou ontem que algumas testemunhas de acusação do processo de pedofilia da Casa Pia já admitiram abandonar o caso, principalmente nos momentos de maior desespero, quando "só querem é fugir e refugiar-se num buraco". Álvaro de Carvalho, que na edição de segunda-feira adiantou ao CM que algumas das crianças que acompanha receberam ameaças de morte e outros identificaram carros suspeitos a circundar os locais onde vivem, revelou agora que algumas das testemunhas já ponderaram abandonar o processo. Segundo o psiquiatra, que adiantou também que os médicos temem que alguma das testemunhas tente o suicídio, como aconteceu anteriormente, o facto de algumas das crianças admitirem abandonar o processo,deve-se às pressões de que têm sido alvo e ainda por terem ficado preocupadas, com a intenção da Ordem dos Médicos de processar o psiquiatra "mostrando-se culpabilizadas e com receio" de que Álvaro de Carvalho pudesse deixar de exercer.
Álvaro de Carvalho, decidiu falar agora porque tem assistido a um "crescendo de instabilidade”.
MAGISTRADOS APELAM
O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) apelou ontem "aos órgãos de soberania para que, publicamente, assegurassem a confiança nas instituições judiciárias”. Em comunicado, e na sequência de manifestações públicas desencadeadas por decisões relacionadas com o processo Casa Pia, "por parte de responsáveis políticos e personalidades ligadas aos sujeitos processuais", a direcção do SMMP, presidida por Luís Felgueiras, lembra que "a responsabilidade do governo das magistraturas também pertence ao poder político", uma vez que nomeia elementos da sua confiança para os Conselhos Superiores da Magistratura (CSM) e MP. Segundo o SMMP o que se questiona é "a transmissão à opinião pública da ideia de que as magistraturas, possam ter actuado neste caso induzidas e manipuladas por interesses obscuros". Assim sendo, o SMMP entende que neste momento de "especial gravidade" os membros dos CSM nomeados pelo Governo, Assembleia da República e Presidente da República devem transmitir a quem os nomeou "notícia do normal funcionamento das magistraturas e dos tribunais".
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